Dinheiro de emendas para o SUS foca mais em escritório do que em saúde
Estudo mostra que recursos parlamentares priorizam veículos e computadores, enquanto o investimento em infraestrutura hospitalar caiu drasticamente na última década.
O boletim do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde revelou que, em 2025, as emendas parlamentares destinadas à atenção primária financiaram mais itens de escritório do que aparelhos médicos.
De acordo com o levantamento, 65,7% dos 95.598 equipamentos comprados com esses recursos pertencem à categoria de infraestrutura e material de escritório, incluindo cadeiras e computadores.
Em termos financeiros, dos R$ 491 milhões alocados por parlamentares para a área, a compra de veículos consumiu a maior parte, atingindo 54% do total com R$ 263,5 milhões.
Os itens de escritório receberam R$ 113,9 milhões, o que representa 23% do repasse. Em contrapartida, os equipamentos de saúde de baixo custo ficaram com apenas 12%, somando R$ 58,8 milhões.
Quando analisados os gastos individuais mais caros, destacam-se os veículos de passeio com R$ 220 milhões, seguidos por computadores com R$ 34,2 milhões e cadeiras odontológicas com R$ 25,6 milhões.
O relatório aponta que o perfil dessas despesas mudou consideravelmente nos últimos anos. Até 2016, a cada R$ 100 destinados à saúde, R$ 64 financiavam a construção de unidades básicas e a compra de máquinas. Já em 2024, apenas R$ 10 foram usados para expandir a infraestrutura do sistema.
Apesar da mudança de foco, o dinheiro das emendas continua sendo fundamental para estados e municípios. Em 2024, esses repasses representaram 22% do orçamento total de R$ 10,3 bilhões para investimentos do Sistema Único de Saúde.
A distribuição do dinheiro entre 2023 e 2025 alcançou 70% das 5.570 cidades brasileiras, beneficiando mais os grandes centros. Cerca de 84% dos municípios com mais de 50.000 habitantes receberam verbas, taxa que cai para 65% naqueles com menos de 10.000 moradores.
A análise regional mostra que o Centro-Oeste lidera os repasses, contemplando 85% de suas cidades. A região Sul aparece em seguida com 76%, acompanhada pelo Sudeste com 73%. Norte e Nordeste ocupam as últimas posições, com 63% e 59%. O estudo também evidencia uma grande desigualdade na divisão dos valores.
Enquanto a cidade de Praia Norte, no Tocantins, recebeu R$ 1.577 por habitante, os municípios de Paulista, em Pernambuco, e Maracanaú, no Ceará, registraram o repasse de apenas R$ 0,40 por pessoa.
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