Carregando agora

PF produziu relatórios sobre Mendonça durante crise com ministro

Quatro documentos foram requisitados por Moraes após Mendonça retirar sigilo de relatório que revelou mensagens com Daniel Vorcaro

A Polícia Federal (PF) produziu 4 relatórios de inteligência sobre a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante o período de tensão entre o magistrado e a cúpula da corporação. Segundo informações apuradas pela CNN, os documentos começaram a ser elaborados ainda no primeiro semestre, em meio aos atritos entre Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Os relatórios não têm assinatura, data ou cabeçalho oficial, o que provocou questionamentos dentro da própria Polícia Federal sobre quando os documentos foram produzidos, quem teria solicitado as análises e até sobre uma possível utilização de inteligência artificial na elaboração do material.

Os 4 documentos foram requisitados por Alexandre de Moraes na terça-feira (1º), conforme registrado em uma decisão do ministro publicada nesta quinta-feira (3). A solicitação ocorreu pouco depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Classificados como “análise de cenário”, os relatórios fazem ressalvas de que não possuem valor probatório. O material foi usado por Moraes como base para pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de uma investigação contra Mendonça.

Os documentos apontam situações que, segundo a cúpula da PF, poderiam representar uma sequência de ilegalidades na condução das investigações sobre as fraudes nos descontos do INSS e o caso envolvendo o Banco Master. As informações também poderiam subsidiar uma eventual medida da corporação contra o ministro.

Outro ponto que chamou atenção foi a classificação de “baixa confiança”, utilizada 24 vezes nos relatórios. Os próprios documentos ressaltam que as avaliações dos analistas não devem ser tratadas como fatos. Segundo as ressalvas, hipóteses com baixo grau de confiança servem para orientar o monitoramento e a coleta de informações, e não para sustentar uma conclusão institucional.

Na decisão apresentada no âmbito do inquérito das fake news, Moraes afirmou haver “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça na condução dos casos Master e INSS. O ministro também apontou uma possível perda de imparcialidade e favorecimento de grupos políticos.

A decisão de Moraes registra ainda que os relatórios já estavam no sistema da Polícia Federal quando foram requisitados. O ministro determinou ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, que encaminhasse imediatamente ao STF os documentos de inteligência que citassem integrantes da Corte.

Os conflitos entre Mendonça e a PF aumentaram conforme o ministro passou a concentrar investigações de grande repercussão política e eleitoral. Além das apurações envolvendo as fraudes no INSS e o Banco Master, tramitam em seu gabinete 2 das 3 novas investigações relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além do inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A cúpula da PF acusa o gabinete de Mendonça de interferir na condução das investigações. Já aliados do ministro reclamam da demora da corporação para avançar em apurações, incluindo o inquérito que envolve Lulinha.

A crise ganhou novas proporções nesta semana após Mendonça retirar o sigilo do relatório da PF sobre o Banco Master. O documento expôs a relação entre Vorcaro e Moraes e revelou mensagens que também fazem referência ao diretor-geral da Polícia Federal e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Diante do agravamento da crise institucional, Fachin determinou nesta quinta-feira (3) que Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues se manifestem em até 5 dias sobre os acontecimentos relacionados ao caso Master. O presidente do STF também abriu um procedimento para esclarecer questões levantadas pela PGR em parecer que pediu o encerramento da apuração conduzida por Mendonça.

Fachin afirmou que cabe à Presidência do tribunal garantir que uma eventual análise pelo plenário seja realizada com “elevado senso de responsabilidade” diante da gravidade dos fatos.

Share this content:

Publicar comentário