UE inicia embargo a carnes e produtos de origem animal do Brasil
Medida afeta carne bovina, frango, suína, pescados, mel e ovos; governo brasileiro tenta reverter decisão
A União Europeia iniciou nesta quinta-feira (3) o embargo a produtos de origem animal do Brasil. A medida impede a entrada de carne bovina, suína e de frango, além de pescados, mel e ovos, nos 27 países do bloco.
A decisão foi anunciada em maio, após a UE retirar o Brasil da lista de países considerados em conformidade com as regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Segundo o bloco, não foram identificadas irregularidades nos produtos brasileiros, mas os mecanismos de controle adotados pelo país foram considerados insuficientes.
O governo brasileiro tenta reverter a medida. Nesta semana, uma equipe da União Europeia realiza uma auditoria nas cadeias de produção de frango e mel. A inspeção termina nesta sexta-feira (4), mas o resultado ainda será analisado pelas autoridades europeias, em um processo que pode levar cerca de 2 meses.
Desde o anúncio do embargo, o Brasil adotou novas regras para controlar o uso de antimicrobianos e criou um protocolo que prevê o rastreamento dos animais desde o nascimento até o abate. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), todas as empresas associadas e habilitadas a exportar para a UE já aderiram ao sistema.
A carne bovina pode levar mais tempo para voltar ao mercado europeu, já que os animais precisam cumprir todo o período de rastreabilidade, que pode chegar a 36 meses. No caso do frango, o ciclo é de aproximadamente 45 dias.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) espera que as exportações de frango sejam retomadas ainda em 2026. Já a Abiec considera a União Europeia um mercado estratégico para a carne bovina, principalmente pela compra de cortes nobres, apesar de o bloco representar 5,8% das exportações brasileiras do produto.
O embargo também afeta o setor de mel. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), as vendas brasileiras para a UE dobraram no primeiro semestre de 2026 e chegaram a US$ 6,3 milhões.
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