Flávio Bolsonaro destinou R$ 200 mil em emenda a projeto ligado a miliciano condenado no caso Marielle
Mensagens mostram negociação de recurso entre assessora do senador e Robson Calixto, condenado pelo STF; PF aponta indícios de desvio da verba
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, destinou R$ 199.999,79 em emenda parlamentar para um projeto esportivo a pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
A negociação ocorreu em 2023 entre Calixto e Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar do gabinete de Flávio no Senado. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do miliciano mostram que ele pediu ajuda ao senador por meio da assessora. A PF investiga possíveis desvios de recursos públicos relacionados à emenda.
Em uma conversa de outubro de 2023, Peixe escreveu: “Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar”. Maria de Fátima respondeu solicitando o envio de um pedido formal. Dias depois, a assessora também sugeriu que ele participasse de um evento e reforçasse pessoalmente o pedido de recursos com Flávio.
Segundo a PF, o senador destinou R$ 199.999,79 ao Ministério do Esporte, que posteriormente firmou um termo de fomento com o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP). O dinheiro seria usado no projeto “Jogadores do Futuro”, voltado a crianças do bairro da Taquara, na região de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
Um relatório técnico do Tribunal de Contas da União (TCU), elaborado em 2025, apontou indícios de irregularidades na aplicação dos recursos. Entre os pontos levantados está a contratação de uma empresa de advocacia para coordenar o projeto esportivo. O TCU também identificou que o responsável pela empresa contratada era o próprio presidente do IFOP.
Robson Calixto foi condenado pelo STF em fevereiro deste ano a 9 anos de prisão e à perda do cargo de policial militar reformado. Segundo a acusação, ele teria atuado como elo entre os executores do assassinato de Marielle e os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes do crime.
A investigação da PF também encontrou mensagens posteriores à destinação da emenda. Em janeiro de 2024, Maria de Fátima pediu a Calixto 4 ingressos para o desfile das campeãs em um camarote no Sambódromo. Segundo a PF, o miliciano teria recorrido a um terceiro para conseguir os ingressos. Em março daquele ano, Peixe voltou a cobrar novas emendas destinadas ao grupo.
Os diálogos fazem parte de uma investigação sigilosa no Supremo Tribunal Federal sobre supostos desvios de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas aos irmãos Brazão. A apuração reúne recursos indicados por diferentes parlamentares, incluindo a emenda de Flávio Bolsonaro.
Por meio de sua assessoria, Flávio afirmou que a emenda foi destinada conforme a legislação e os critérios técnicos do Ministério do Esporte. O senador também declarou que a entidade responsável apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados. Segundo ele, eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle e a responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária.
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