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Candidaturas indígenas batem recorde histórico no Brasil

Apesar do avanço e da representação de 64 etnias, os povos originários ainda somam menos de 1% do total de concorrentes.

As eleições de 2026 marcam momento histórico para a representatividade no Brasil, com número recorde de 191 candidaturas indígenas registradas no Tribunal Superior Eleitoral, o TSE.

Segundo levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, a Apib, este é o maior volume desde 2014, quando a declaração de cor e raça se tornou obrigatória. O montante atual é quase 3% superior ao de 2022 e 125% maior que o de 2014. No entanto, esses candidatos representam menos de 1% do total de 20.506 pedidos de registro feitos até o dia 17 de agosto.  

A maior parte dos concorrentes indígenas busca vagas no legislativo. São 99 candidatos a deputado estadual e 75 a deputado federal, aumento considerável em relação aos 59 de 2022. Há também disputas para o Senado, governos estaduais, além de suplências e vices.

Os candidatos estão espalhados por 26 estados brasileiros e englobam os 6 biomas do país. A Amazônia Legal concentra a maioria com 80 registros, o que equivale a 42% do total. Em seguida aparecem as regiões Sudeste com 36 candidaturas, Nordeste com 34, Centro-Oeste com 27 e Sul com 14.  

Ao todo, 64 etnias diferentes estão representadas nas urnas. O povo Macuxi lidera com 13 candidatos, seguido pelos Guarani Kaiowá com 12. Também possuem números expressivos os povos Guaraní com 8, Munduruku com 7, Mura com 6 e Terena com 6 candidaturas.

Para a Apib, esse crescimento reflete a resistência histórica e a exigência por espaço político, com o objetivo de colocar a defesa dos territórios no centro das decisões do país. A organização apoia diretamente 54 dessas candidaturas por meio da campanha que leva o lema Nosso Território, Nossa Vida.  

A presença feminina também tem papel de destaque. Embora o total de mulheres indígenas tenha tido leve queda de 85 em 2022 para 84 em 2026, elas correspondem a 44% dos candidatos de povos originários. Essa proporção é bem maior que a média geral de mulheres entre todos os concorrentes no Brasil, que é de 35%.

A coordenação da campanha indígena avalia que esse avanço demonstra a força das mulheres na organização das lutas regionais e na busca contínua por mais espaço nos centros de decisão.

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