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“Fui apunhalado pelas costas”, dispara Rotta e acusa antigo aliado de traição após apoio a Eduardo Braga

Sem citar nomes, ex-vice-prefeito afirma que pessoa a quem sempre apoiou não honra compromissos e anuncia que percorrerá Manaus e o interior durante as eleições

O anúncio do apoio do prefeito de Manaus, Renato Junior, à reeleição do senador Eduardo Braga provocou uma reação explosiva de Marcos Rotta nesta sexta-feira (7). Em vídeo divulgado nas redes sociais, o ex-vice-prefeito afirmou que foi “apunhalado pelas costas” após o grupo político do qual fazia parte deixar de confirmá-lo como candidato ao Senado.

Rotta não identificou nominalmente quem considera responsável pelo episódio. Ao longo do pronunciamento, referiu-se apenas à pessoa que sempre apoiou, a quem teria sido leal e com quem formou chapa nas eleições municipais de 2020.

“Ontem, como todos viram, infelizmente a minha dúvida se confirmou. E justamente no momento tão frágil da minha vida pessoal, eu fui apunhalado pelas costas, logo por quem eu sempre apoiei e a quem sempre fui leal”, declarou.

O pronunciamento foi divulgado um dia depois de Renato Junior oficializar seu primeiro apoio ao Senado. O atual prefeito escolheu Eduardo Braga, candidato à reeleição e integrante da chapa liderada por Omar Aziz na disputa pelo Governo do Amazonas.

Mais do que criticar a escolha, Rotta fez um ataque direto à conduta política do antigo aliado. Segundo ele, a pessoa citada no vídeo se tornou conhecida nos bastidores por descumprir acordos.

“O tempo, que é o senhor da razão, mostrou que a pessoa com quem eu formei chapa em 2020 nem de longe se parece com a pessoa de 2026. Eu fui mais uma vítima daquele que é conhecido no meio político por não honrar os seus compromissos. Aliás, uma de suas grandes marcas atualmente”, disparou.

Rotta também usou a rejeição eleitoral do alvo de suas críticas como munição. “Não é à toa que a sua rejeição beira hoje os 40% na cidade de Manaus, a cidade que ele administrou durante seis anos”, afirmou.

De candidato do grupo a descartado da chapa

A acusação expõe a dimensão da mudança ocorrida em poucos meses. Em março, Marcos Rotta foi lançado publicamente como pré-candidato do grupo ao Senado. O evento reuniu lideranças políticas e apresentou sua candidatura como competitiva e definitiva.

Rotta deixou a Casa Civil da Prefeitura para viabilizar o projeto eleitoral e passou a cumprir agendas como o nome do grupo para uma das duas vagas ao Senado. A composição, no entanto, começou a desmoronar na reta final das convenções.

No dia 23 de julho, Rotta não compareceu à convenção do Avante. O partido confirmou a candidatura ao Governo do Amazonas, mas encerrou o evento sem apresentar um nome para o Senado. A definição dos apoios ficou sob a responsabilidade de Renato Junior.

Nos dias seguintes, Rotta informou que estava fora da eleição para acompanhar o pai, que enfrenta problemas de saúde. No novo pronunciamento, ele reafirmou o drama familiar, mas deu outro sentido ao que aconteceu politicamente. Disse que já desconfiava de que havia algo errado com sua candidatura e classificou o desfecho como uma traição praticada no momento mais delicado de sua vida pessoal.

“Eu precisei me afastar nos últimos dias por conta da saúde fragilizada do meu pai, mas, antes disso, eu já pressentia que alguma coisa estava errada na minha pré-candidatura ao Senado da República”, afirmou.

Rotta promete reação e anunciará candidato ao governo

O vídeo não representa apenas um desabafo. Rotta anunciou que entrará na campanha, apoiará candidatos e percorrerá Manaus e os municípios do interior. Com quatro mandatos de deputado estadual, um de deputado federal e dois de vice-prefeito, ele lembrou que venceu sete eleições e deixou claro que não ficará neutro após ficar fora da disputa.

“Não é essa traição que vai me parar. Muito pelo contrário. Irei percorrer as ruas da cidade de Manaus, os becos da cidade de Manaus e os municípios do interior do estado do Amazonas”, disse.

Rotta foi além e anunciou que revelará quem apoiará para o Governo do Amazonas. A declaração abre a possibilidade de o ex-vice-prefeito trabalhar em um campo político diferente daquele ao qual esteve ligado nos últimos anos.

“Eu vou anunciar o meu candidato ao Governo do Estado do Amazonas”, afirmou.

O pronunciamento transforma o descarte de uma candidatura em uma crise política aberta. Alguém que até poucos meses atrás era apresentado como candidato oficial do grupo ao Senado agora fala em traição, acusa um antigo aliado de não cumprir compromissos e promete levar essa ruptura às ruas de Manaus e ao interior do estado.

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