Brasil reduz analfabetismo para 4,9% e atinge melhor marca da história
Dados do IBGE mostram queda inédita, mas desigualdades regionais, raciais e de idade ainda desafiam o país na educação básica.
O Brasil registrou um avanço expressivo na educação em 2025. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Educação do IBGE, a taxa de analfabetismo caiu para 4,9%, ficando abaixo de 5% pela primeira vez desde o início do levantamento. Atualmente, 8,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não conseguem ler e escrever um bilhete simples, o que representa uma redução de 592 mil pessoas nessa condição no período de um ano.
Apesar da melhoria nacional, o cenário ainda expõe profundas desigualdades. O Nordeste concentra 57,4% de todos os analfabetos do país, abrigando 4,8 milhões de pessoas com uma taxa regional de 10,6%. O déficit educacional também afeta de forma desproporcional a população idosa e negra.
Pessoas com 60 anos ou mais representam 58% daqueles que não sabem ler e escrever. Na análise por cor ou raça, o índice de analfabetismo entre pretos ou pardos acima de 15 anos é de 6,5%, enquanto a taxa entre a população branca cai para 2,8%. Uma marca inédita apontada pelo estudo é que as mulheres com 60 anos ou mais ultrapassaram os homens da mesma idade, apresentando um índice de analfabetismo levemente menor, de 13,7% contra 14,1%.
O nível geral de escolaridade dos adultos também evoluiu e a média de estudo alcançou 10,2 anos. Pela primeira vez na história, mais da metade da população preta ou parda a partir dos 25 anos, equivalente a 51,3%, concluiu pelo menos o ensino médio. No quadro geral do país, 57,4% dos adultos já terminaram a educação básica obrigatória, um salto significativo em relação aos 46% registrados em 2016, e a parcela de brasileiros com ensino superior completo subiu para 21,4%.
Apesar do maior acesso das novas gerações às salas de aula, gargalos importantes persistem desde a primeira infância até a juventude. Somente 41,7% das crianças de 0 a 3 anos frequentam creches, um número que ainda não atinge a meta educacional do governo. A evasão escolar atinge seu pico entre os jovens de 16 e 18 anos, tendo a necessidade de trabalhar e a gravidez como os principais motivos de abandono citados pelas mulheres.
Por outro lado, o total de jovens entre 15 e 29 anos que não estudam nem trabalham teve uma redução positiva, caindo de 11 milhões em 2019 para 8,2 milhões em 2025. Esse grupo agora representa 17,5% da faixa etária, embora as mulheres e a população negra continuem sendo as maiores vítimas dessa vulnerabilidade.
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