Alimentos mais baratos freiam inflação e índice recua em julho
IPCA desacelera para 0,07% no mês puxado pela queda no supermercado, mesmo com forte pressão do aumento na conta de luz.
A inflação oficial do país desacelerou para 0,07% em julho, após registrar 0,16% no mês anterior. Com o resultado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o acumulado do ano de 2026 chegou a 3,44%.
Nos últimos 12 meses, a taxa recuou para 4,44%, mantendo o índice dentro do limite de tolerância estabelecido pelo Banco Central, que tem meta de 3% e teto de 4,50%.
O principal fator para segurar o índice geral foi a redução de 0,67% no setor de alimentação e bebidas. Comer em casa ficou 1,14% mais barato, com recuos expressivos em produtos como o tomate, que caiu 29,09%, a batata, com redução de 19,59%, e a cenoura, que baixou 14,41%.
Em contrapartida, alimentar fora de casa ficou 0,55% mais caro, e itens de consumo diário, como leite e frutas, também registraram aumento de preços.
Por outro lado, o grupo de habitação liderou as elevações do mês ao registrar 0,99%. A conta de luz foi o maior peso para o bolso, com aumento de 3,09%, motivado por reajustes tarifários em grandes cidades e pela aplicação da bandeira amarela.
O setor de saúde e cuidados pessoais subiu 0,40%, impulsionado por reajustes em planos de saúde e itens de higiene. No segmento de transportes, o avanço de 0,05% foi reflexo do salto de 11,67% nas passagens aéreas, número que só não impactou mais devido à queda no valor de combustíveis como etanol, gasolina e diesel.
No panorama regional, a cidade de Rio Branco apresentou a maior alta do país, com 0,32%, enquanto Belém registrou a maior queda, com 0,45%.
Apesar da desaceleração pontual, o cenário econômico ainda exige atenção. O mercado considerou o índice levemente acima da expectativa inicial de 0,03%, o que mantém a cautela do Comitê de Política Monetária.
Especialistas apontam que fatores como os impactos climáticos do El Niño nas lavouras, o aumento dos gastos públicos e o cenário externo adverso ainda são ameaças.
Com a Selic recentemente cortada para 14% ao ano, a previsão do mercado é que o Banco Central encerre o ciclo com a taxa em 13,75%, demonstrando pouco espaço para reduções expressivas nos juros enquanto a inflação estiver próxima ao teto da meta.
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