Alerta de seca no Amazonas impõe risco à navegação em setembro
Marinha aponta queda rápida do Rio Negro, mas avalia que estiagem não deve atingir os níveis extremos dos últimos anos.
O capitão dos portos da Amazônia Ocidental, André Lysâneas Carvalhaes, alertou que o transporte fluvial no Amazonas poderá sofrer restrições a partir da 2ª quinzena de setembro em razão da seca.
O oficial informou que o nível do Rio Negro no mês de agosto está caindo de forma mais acelerada em comparação ao mesmo período de 2023. Porém, ele destaca que ainda não é possível confirmar uma estiagem extrema, visto que a bacia amazônica depende do comportamento de diferentes rios.
As projeções da Marinha indicam que a perda de profundidade das águas deve obrigar as transportadoras a diminuírem o peso das embarcações enviadas a Manaus. Essa incerteza afeta diretamente o planejamento da indústria local, que depende de insumos internacionais.
Como o trajeto da Ásia ao Brasil dura em média 40 dias, os operadores precisam decidir com grande antecedência sobre o alívio de carga em portos intermediários para garantir a viagem.
O impacto final da seca sobre o comércio ainda dependerá do ritmo da vazante, do volume de chuvas e da execução das obras de dragagem.
Carvalhaes ressaltou que a realização de melhorias na profundidade do rio pode evitar grandes restrições no tráfego de navios, atenuando os efeitos climáticos.
Devido ao agravamento do fenômeno El Niño, o Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas alertou sobre a possibilidade de transferir as operações portuárias para o município de Itacoatiara, situado a 176 quilômetros da capital amazonense.
O representante da Marinha explicou que essa manobra é segura e pode ser feita em qualquer etapa da seca, desde que a operação seja auxiliada por navios rebocadores para garantir a segurança da estrutura.
O capitão lembrou que qualquer período de estiagem ligeiramente acima da média já causa prejuízos logísticos, assim como ocorreu no ano de 2025.
Quando os níveis da água tornam o trânsito de Itacoatiara para Manaus economicamente inviável devido à pouca carga transportada, o uso de píeres flutuantes passa a ser considerado.
Apesar do atual cenário de atenção, os dados do Serviço Geológico do Brasil e da universidade estadual indicam que a seca atual não deverá atingir as marcas históricas registradas em 2023 e 2024.
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