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Indústria brasileira busca alternativas para escapar da nova taxação americana

Setores afetados cobram apoio do governo federal e alertam que a conquista de novos mercados exige tempo e investimentos elevados.

A recente taxação de 25% imposta pelos Estados Unidos fez as empresas brasileiras buscarem com urgência rotas comerciais alternativas. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o impacto atinge 18% das exportações nacionais para o mercado americano, o que equivale a US$ 7,4 bilhões ou R$ 37,7 bilhões.

A nova alíquota entrou em vigor nesta quarta-feira, dia 22, motivando os empresários a pedirem ajuda governamental para reduzir impostos e frear o avanço de produtos estrangeiros no mercado interno.

Representantes de diversos setores relatam que a diversificação de destinos não resolve a crise de forma imediata. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, Haroldo Ferreira, explicou que a estratégia de dividir custos com os importadores funcionou no ano passado, mas se tornou inviável com as novas taxas.

Na área de móveis, a diretora da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário, Cândida Cervieri, destacou que 30% das vendas vão para os Estados Unidos. Ela lamentou a demissão de 10.000 trabalhadores em polos industriais do Sul e Sudeste, ressaltando que atrair clientes globais é um processo lento e de alta concorrência devido a movimentações de outros países.

Para enfrentar o cenário, a indústria cobra a continuidade das negociações diplomáticas. Fernando Pimentel, diretor da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, defendeu a manutenção do diálogo para buscar soluções, mesmo considerando a política comercial americana injusta.

Em reuniões com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, José Velloso, apresentou exigências emergenciais. Os pedidos incluem o fortalecimento do programa Reintegra para devolver tributos da cadeia produtiva, a criação de um crédito para compensar impostos e a adoção de um regime especial que permita adiar os pagamentos federais.

Os empresários também exigem ações rigorosas contra o aumento das importações, tanto nos contêineres tradicionais quanto nas pequenas encomendas de comércio eletrônico, como forma de compensar as perdas externas focando nos consumidores locais. O cenário de tensão pode se agravar ainda mais nos próximos dias.

O representante de comércio americano, Jamieson Greer, declarou na terça-feira, dia 21, que o país estuda aplicar taxas entre 10% e 12,5% contra cerca de 60 nações, sob a justificativa de punir falhas na fiscalização de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

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