Enem 2026 tem mais de 5 milhões de inscritos, e mulheres são 64% do total
Provas acontecem em 8 e 15 de novembro; especialista orienta revisar erros, espaçar os estudos e treinar o tempo na reta final
O Enem 2026 confirmou 5.051.345 inscrições, de acordo com o painel do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). As provas serão aplicadas em 8 e 15 de novembro. As mulheres são 63,98% dos participantes, ou 3.232.013 pessoas, e 13.821 candidatos têm mais de 60 anos, o que mostra a variedade de perfis entre os inscritos.
Com a data cada vez mais perto, a organização faz diferença. Para Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera, o foco deve estar nas dificuldades identificadas durante a preparação, e não apenas em somar mais horas diante dos livros.
Uma forma de medir o aprendizado é explicar um conceito sem consultar as anotações ou resolver questões sem ajuda, o que revela o que ainda precisa ser retomado. Uma revisão publicada na revista Psychological Science in the Public Interest aponta os testes e o estudo espaçado, com revisões distribuídas ao longo do tempo, entre as técnicas mais úteis.
Em vez de reservar um período apenas para uma disciplina, o candidato pode definir tarefas específicas, como revisar um assunto, resolver certo número de questões e corrigir os erros. O planejamento deve considerar as dificuldades vistas em exercícios e simulados e o tempo restante até a prova.
Depois da leitura, vale fechar o livro e explicar o conteúdo com as próprias palavras, responder a perguntas ou escrever tudo o que se lembra. A conferência vem só depois da tentativa. Esquecimentos, conceitos confundidos e explicações incompletas mostram o que revisar. A técnica é chamada de prática de recuperação.
Olhar apenas o número de acertos não basta. É preciso entender por que cada questão foi errada: falta de uma fórmula, má interpretação do enunciado, desatenção ou erro de cálculo. Registrar o motivo ajuda a direcionar as revisões. Patrícia também recomenda refazer a questão depois de estudar a explicação, sem olhar a resolução original, para checar se o raciocínio foi compreendido.
Concentrar um tema em uma única sessão dificulta perceber o que não foi aprendido de forma consistente. Por isso, o ideal é retomar os assuntos em dias diferentes, com perguntas, exercícios e anotações de erros anteriores, sem reler tudo a cada vez.
A preparação também não deve se limitar a ler e marcar trechos. Resolver questões, interpretar gráficos, relacionar conceitos e construir argumentos fazem parte do treino exigido pelo exame. Atividades de estimulação cognitiva podem complementar a rotina, mas não substituem o estudo das disciplinas nem garantem notas mais altas.
Os simulados, além de medir o domínio do conteúdo, mostram como o candidato administra o tempo. Dá para observar quais questões levaram mais minutos, se houve tempo de concluir a redação e revisar as respostas, e se os erros se concentram em certas áreas. Com esses dados, é possível testar estratégias e reorganizar o cronograma. Uma única nota, porém, não deve ser vista como previsão definitiva do resultado.
O planejamento precisa incluir pausas, refeições, lazer e sono adequado, com uma rotina possível de manter até a prova. Deixar o celular longe e definir antes a tarefa do dia ajuda a reduzir interrupções. Nas últimas semanas, a prioridade é retomar os conteúdos que ainda geram dúvidas, refazer questões e praticar com provas anteriores.
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