PF caça doleiro sancionado pelos EUA por lavar dinheiro do tráfico internacional
Empresário foragido teria usado mais de 70 empresas para movimentar recursos ilícitos e também possui ligações com esquema de desvios no Corinthians.
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira a Operação Exchange para desarticular um grupo criminoso focado em lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas. A Justiça expediu 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca em cidades paulistas. O bloqueio judicial de bens e criptomoedas dos alvos pode chegar a R$ 10,4 bilhões.
O principal investigado é o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, conhecido como Japa. Ele está foragido e recentemente foi alvo de sanções dos Estados Unidos por supostamente integrar uma rede de lavagem de dinheiro de uma facção criminosa brasileira na Flórida. O governo americano aponta que ele lavou mais de US$ 30 milhões usando criptomoedas, enquanto a investigação brasileira indica o uso de mais de 70 empresas para ocultar o capital financeiro.
A operação prendeu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apelidada de Lara Croft. Parente de Victor e atuando como sua secretária, ela também sofreu sanções do governo americano, que a acusa de organizar a logística para a coleta de dinheiro em espécie. A investigada não possuía antecedentes criminais.
O empresário Victor Shimada já é investigado no Brasil por suspeita de ligação com o desvio de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a empresa VaideBet. Segundo as apurações, a empresa Victory Trading, da qual ele é sócio, realizou transferências suspeitas que integram a cadeia de lavagem de dinheiro do esquema. Além disso, em janeiro de 2025, ele cumpriu prisão domiciliar após o banco Votorantim identificar movimentações irregulares em seus serviços e acionar as autoridades.
O advogado Yuri Cruz, responsável pela defesa de Victor Shimada, afirmou que a equipe jurídica ainda não teve acesso aos documentos oficiais da investigação. A defesa garante que o empresário nega qualquer envolvimento com o crime organizado e avalia a possibilidade de uma apresentação voluntária à polícia.
As recentes sanções aplicadas representam o primeiro movimento econômico dos Estados Unidos desde que o país classificou grandes facções brasileiras como organizações terroristas no mês de junho. Com a medida, os investigados têm seus bens bloqueados no território americano, incluindo qualquer empresa em que possuam 50% ou mais de participação societária.
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