Tensão entre EUA e Irã impulsiona petróleo ao maior nível em 1 mês
Proposta americana de taxar navios em 20% no Estreito de Ormuz e ataques a embarcações elevam temores sobre a oferta global e a inflação.
Os preços do petróleo registraram alta nesta terça-feira, dia 14, alcançando o maior patamar em cerca de 4 semanas devido ao aumento das tensões no Oriente Médio.
O barril do tipo Brent avançou 4,33% para US$ 86,91, seu maior nível desde 12 de junho. Já o WTI subiu 3,17% e chegou a US$ 80,62, o maior valor desde 16 de junho. Esse movimento ocorre logo após um salto de quase 10% registrado na segunda-feira, dia 13.
A escalada reflete o receio de interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito do planeta.
O cenário se agravou após os Estados Unidos restabelecerem um bloqueio naval ao Irã e intensificarem ofensivas militares. A atitude contraria o memorando de entendimento para o fim das hostilidades assinado entre as partes em 17 de junho, fazendo o mercado precificar o risco de rompimento definitivo do acordo.
A situação tornou-se ainda mais crítica com a proposta do governo americano de cobrar uma taxa de 20% para proteger as embarcações na região.
Além disso, 2 navios dos Emirados Árabes foram atingidos por mísseis iranianos, resultando em 1 morto e 8 feridos. Com esses episódios, o fluxo de petroleiros no estreito caiu para o menor patamar em 2 meses. Analistas do ANZ estimam que, se o quadro persistir, o barril pode oscilar entre US$ 85 e US$ 90 nas próximas semanas.
O encarecimento da energia eleva os custos de combustíveis e transporte, gerando forte pressão sobre a inflação global. Nos Estados Unidos, investidores aguardam os dados inflacionários de junho temendo que a alta dificulte a atuação do Federal Reserve.
Declarações recentes de membros do banco central indicam a possibilidade de manutenção ou até elevação da taxa de juros caso os preços continuem acima da meta.
O avanço da commodity também impactou os mercados financeiros nesta terça-feira. Na Ásia, a maioria das bolsas fechou no azul, com o índice de Xangai subindo 1,36% e o CSI300 avançando 2,15%, impulsionados por um crescimento de 27% nas exportações chinesas.
O Hang Seng ganhou 0,52%, o Nikkei cresceu 0,74%, o Kospi avançou 0,73% e o Straits Times teve alta de 0,43%, enquanto o Taiex recuou 1,42%. Na Europa, a cautela predominou, com os índices FTSE 100 e FTSE 250 recuando 0,3% e 0,7%, respectivamente, sendo sustentados principalmente pelas ações do setor de energia.
No mercado de câmbio, o dólar operou perto das máximas de 13 meses. O euro avançou 0,2% para US$ 1,1399, a libra subiu 0,2% para US$ 1,337 e o iene bateu 162,27 por dólar, chegando perto da mínima em 40 anos. Em Wall Street, os futuros do Dow Jones caíram 0,2%, os do S&P 500 ficaram estáveis e os do Nasdaq subiram 0,5%.
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