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ONU aprova resolução contra embargo a Cuba, mas EUA ampliam oposição

Votação teve 130 países a favor, 25 abstenções e 17 contrários; no ano passado, foram 165 votos a favor e 7 contra

A Assembleia Geral da ONU aprovou, por ampla maioria, a resolução que pede o fim do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba. Nesta quarta-feira (28), porém, uma campanha de pressão americana fez vários países se oporem ao texto ou se absterem pela primeira vez em anos. O placar foi de 130 votos a favor, 25 abstenções e 17 contra, incluindo EUA e Israel. Em 2025, haviam sido 165 a 7, com 12 abstenções.

Alemanha e Itália estão entre os países ocidentais que se abstiveram pela primeira vez em muitos anos. O enviado dos EUA à ONU, Mike Waltz, comemorou o resultado e disse estar satisfeito com a mudança de posição de grandes economias, como Coreia e Alemanha. Segundo ele, o número de países que mudaram de lado triplicou, e a expectativa é que continue crescendo.

A votação tem peso político, mas só o Congresso americano pode suspender o embargo, em vigor há mais de 60 anos. A ONU, com 193 membros, adota a resolução todos os anos há mais de três décadas, exceto em 2020, por causa da pandemia.

O clima entre as delegações esquentou antes da votação, com discussões entre diplomatas e empurrões no plenário na terça-feira (27). Waltz acusou o primeiro-secretário da missão cubana, Richard Tur de la Concepción, de agredir um diplomata americano e disse que ele será expulso dos EUA. A missão de Cuba não respondeu de imediato.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou no X que o governo americano está isolado mais uma vez e acusou Washington de punição coletiva contra o povo cubano.

Os EUA votam contra a resolução desde 1992 e só se abstiveram em 2016, no governo Obama, durante a aproximação com Havana. Agora, o governo Trump intensifica a pressão sobre a ilha, após ter recorrido às Forças Armadas em janeiro para destituir o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Cuba atribui às sanções a pior recessão em décadas, com escassez de produtos básicos, infraestrutura em colapso e inflação alta. No mês passado, a rede elétrica da ilha sofreu um colapso total, deixando milhões de pessoas sem energia.

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