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Dívida pública chega a 82,5% do PIB e atinge maior nível desde 2021

Contas públicas tiveram superávit de R$ 1,4 bilhão em julho, mas estatais federais acumulam rombo recorde de R$ 8,3 bilhões no ano

As contas do setor público consolidado registraram superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (31). O resultado considera o governo federal, estados, municípios e empresas estatais, sem incluir os gastos com juros da dívida.

O desempenho representa uma melhora em relação a julho de 2025, quando houve déficit de R$ 66,6 bilhões, influenciado pelo pagamento de precatórios. No mês passado, o governo federal teve superávit de R$ 11 bilhões, enquanto estados e municípios registraram déficit de R$ 8,5 bilhões. As estatais tiveram resultado negativo de R$ 1,1 bilhão.

Apesar do saldo positivo no mês, as contas públicas acumulam déficit de R$ 78,8 bilhões nos 7 primeiros meses de 2026, equivalente a 1% do PIB. No mesmo período de 2025, o resultado negativo havia sido de R$ 44,5 bilhões, ou 0,61% do PIB.

Quando os juros da dívida são incluídos, o chamado resultado nominal apresentou déficit de R$ 97,6 bilhões em julho. Em 12 meses até o mês passado, o resultado negativo chegou a R$ 1,24 trilhão, equivalente a 9,34% do PIB. Desse total, R$ 1,15 trilhão corresponde às despesas com juros, que representam 8,67% do PIB.

A dívida bruta do setor público também avançou. Em julho, subiu 0,6 ponto percentual e chegou a 82,5% do PIB, o equivalente a R$ 10,95 trilhões. É o maior percentual desde abril de 2021, quando a dívida correspondia a 82,6% do PIB.

Desde o início do atual governo, a dívida aumentou 10,8 pontos percentuais. O avanço é associado principalmente ao crescimento das despesas públicas e ao impacto dos juros elevados, com a taxa Selic atualmente em 14% ao ano.

No cálculo utilizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que segue uma metodologia diferente da adotada pelo Banco Central, a dívida brasileira alcançou 95,4% do PIB em julho. O percentual está acima da média de países emergentes e de outras nações da América do Sul.

O governo aprovou em 2023 o chamado arcabouço fiscal, criado para controlar o crescimento das despesas e substituir o antigo teto de gastos. Apesar das regras, despesas que ficam fora dos limites continuam pressionando o endividamento. Analistas defendem medidas mais rígidas de controle de gastos para conter a dívida e abrir espaço para uma redução dos juros.

As empresas estatais federais também registraram um resultado negativo expressivo. Em julho, o déficit foi de R$ 476 milhões. De janeiro a julho, o rombo chegou a R$ 8,3 bilhões, o pior resultado para o período desde o início da série histórica do Banco Central, em 2002.

O valor já supera o déficit registrado pelas estatais em todo o ano de 2024, quando o resultado negativo foi de R$ 6,73 bilhões. O levantamento não inclui Petrobras, Eletrobras e bancos públicos.

Entre as empresas consideradas estão os Correios, Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea. A situação dos Correios é um dos principais fatores que contribuíram para a piora das contas. Em 2025, a estatal registrou rombo de R$ 8,5 bilhões e, apenas no primeiro semestre de 2026, acumulou déficit de R$ 5,6 bilhões.

No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, o governo reconheceu que as estatais federais devem continuar registrando déficits até 2030. Para 2027, está previsto um aporte de R$ 6 bilhões nos Correios.

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