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Dólar sofre maior queda semanal desde abril após dados de emprego frustrarem mercado

A desaceleração na criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos reduziu a expectativa de aumento nos juros e fortaleceu moedas concorrentes como o euro, a libra e o iene.

O dólar americano registrou nesta sexta-feira sua maior desvalorização semanal das últimas 12 semanas. A queda foi motivada por um relatório de empregos fraco nos Estados Unidos, que evidenciou uma forte desaceleração na criação de vagas em junho e revisões negativas para os 2 meses anteriores. Com os dados ruins, os investidores diminuíram as apostas de um aumento nas taxas de juros pelo Federal Reserve a curto prazo. Atualmente, as ferramentas de mercado apontam uma probabilidade de 45% para uma alta de juros na reunião programada para o mês de setembro.

A perda de força da moeda americana beneficiou diretamente outros mercados globais. O euro subiu 0,5% na semana, atingindo o patamar de US$ 1,1446. A libra esterlina também teve um salto de 1,1%, chegando a US$ 1,3355 e marcando seu melhor desempenho em quase 3 meses. O cenário trouxe ainda um alívio para o iene japonês, que se recuperou para menos de 161 por dólar após bater a marca de 162,84 na quinta-feira, o seu pior nível em 40 anos.

No mercado financeiro, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA também caíram, com os papéis de 2 anos registrando uma baixa de 4 pontos base. O índice geral do dólar recuou 0,2%, operando na casa de 100,77 e acumulando uma retração semanal de 0,6%. O analista do banco SEB, Karl Steiner, afirmou que o movimento reverso já era esperado e que novas quedas não seriam surpreendentes, alertando também para o risco de intervenções governamentais durante o feriado do Dia da Independência, período que apresenta menor liquidez.

A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, reforçou o clima de alerta ao declarar que o país mantém contato frequente com o governo americano e está pronto para agir em defesa do iene. O mercado avalia que as autoridades japonesas estão mudando sua estratégia, preferindo ações diretas e sem aviso prévio para punir os especuladores.

Segundo o analista Tony Sycamore, o pico de 40 anos na relação entre dólar e iene pode ser apenas um fenômeno de curto prazo, já que o futuro da cotação dependerá dos próximos dados econômicos americanos e da estabilidade dos títulos do governo japonês.

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