Brasil rebate ameaças de tarifa de 25% dos EUA
Governo brasileiro envia resposta oficial a Washington para contestar acusações de comércio desleal feitas pela administração Trump.
O governo brasileiro encaminhou um documento de 29 páginas aos Estados Unidos na tentativa de evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos nacionais. A medida americana surge como retaliação a supostas práticas que prejudicariam as empresas daquele país.
O texto, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, argumenta que as críticas americanas ao sistema de pagamentos PIX e às decisões do Supremo Tribunal Federal não possuem qualquer relação com o comércio internacional, configurando apenas divergências sobre as políticas internas do Brasil.
Na área tecnológica e financeira, os americanos acusam o Banco Central de impor o PIX e limitar a concorrência. O Brasil rebate essa visão ao explicar que o sistema é uma infraestrutura pública de acesso aberto e sem discriminação, citando a atuação de empresas americanas como Google Pay e Visa no ecossistema nacional.
Em relação à regulação das redes sociais, os Estados Unidos classificam os bloqueios de perfis e o banimento de plataformas, a exemplo da suspensão do Rumble em fevereiro de 2025, como atos de censura. A defesa brasileira sustenta que tais ordens judiciais ocorrem dentro do devido processo legal para garantir a integridade eleitoral e combater crimes, reforçando que a lei se aplica de maneira idêntica a plataformas nacionais e estrangeiras.
No âmbito comercial, as tensões envolvem reclamações sobre o mercado de etanol e os acordos tarifários preferenciais do Brasil com nações como México e Índia. O governo americano alega falta de reciprocidade e desvantagem competitiva.
Em resposta, o Brasil garante que seus arranjos regionais respeitam integralmente as normas da Organização Mundial do Comércio e pontua que a insatisfação com a concorrência não justifica sanções. O documento também recorda que as relações comerciais são mutuamente benéficas, com os Estados Unidos registrando um superávit de bens com o Brasil no ano de 2024.
As alegações estrangeiras também questionam a lentidão na análise de patentes, que chega a 109 meses, e apontam supostas falhas no combate à corrupção e ao desmatamento. Para desconstruir esses argumentos, as autoridades brasileiras lembraram que o próprio governo americano reconheceu avanços e retirou o Brasil de sua lista de observação prioritária de propriedade intelectual em 2025.
O país também reafirmou seu compromisso com acordos globais anticorrupção e demonstrou a ampliação da defesa ambiental através do orçamento focado no combate ao desmatamento ilegal, que sofreu um reajuste de 87,6%, saltando de R$ 181,8 milhões em 2022 para R$ 340,99 milhões em 2026.
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