EUA ameaçam reter cota de açúcar do Brasil
Exigência do governo americano coloca 56.000 toneladas do produto brasileiro em risco após setor relatar perdas de US$ 3 bilhões
O governo de Donald Trump alertou que pode reter e redistribuir 56.000 toneladas da cota de exportação de açúcar do Brasil caso não receba propostas comerciais consideradas satisfatórias.
A declaração foi feita pelo subsecretário de Agricultura dos Estados Unidos, Stephen Vaden, durante um evento no Colorado. A indústria americana faz forte pressão por novas restrições para conter a entrada de produtos estrangeiros no país.
Em 23 de julho de 2026, o Representante Comercial dos Estados Unidos definiu o limite de importação para o ano fiscal de 2027 em cerca de 1,117 milhão de toneladas, divididas entre 39 países.
O Brasil costuma ter direito a 156.000 toneladas desse montante, mas apenas 100.000 foram liberadas até o momento. Isso deixa 36% da fatia brasileira sob o risco de ir para outros fornecedores se as exigências de Washington não forem atendidas.
Essa cota americana representa menos de 0,5% das 35,7 milhões de toneladas que o Brasil deve exportar na safra 2025/2026, no entanto, a questão central é o impacto financeiro.
O açúcar vendido dentro do limite estabelecido paga uma tarifa de aproximadamente US$ 14,60 por tonelada. Fora da cota, a taxa salta para expressivos US$ 338,60 por tonelada.
Os produtores americanos alegam que a tarifa aplicada aos excedentes, fixada no ano 2000, perdeu a capacidade de frear as importações. Segundo a representante do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Carlann Unger, o país iniciou 2026 com estoques recordes.
Um estudo da Universidade Estadual de Dakota do Norte estimou que o excesso de produto estrangeiro derrubou os preços internos e causou um prejuízo superior a US$ 3 bilhões aos agricultores americanos nas 2 últimas safras.
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