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Déficit do governo em agosto é o menor para o mês em cinco anos

Resultado de R$ 13,6 bilhões no vermelho foi divulgado pelo Tesouro, mas o acumulado de 2026 ainda preocupa

As contas do governo registraram déficit primário de R$ 13,58 bilhões em agosto, segundo dados do Tesouro Nacional divulgados nesta terça-feira (29). O déficit primário acontece quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas, sem considerar os juros da dívida pública.

O resultado é melhor que o de agosto do ano passado, quando o saldo negativo foi de R$ 16,2 bilhões, já corrigido pela inflação. Também foi o melhor desempenho para o mês desde 2021, quando o rombo chegou a R$ 11,8 bilhões, com a correção.

Segundo o Tesouro, a melhora veio principalmente do aumento das receitas, que cresceram mais que os gastos. As receitas líquidas, já descontadas as transferências, subiram 3,5% acima da inflação e chegaram a R$ 187,9 bilhões.

O governo atribui esse avanço ao crescimento da economia, aos aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e às receitas ligadas à alta do petróleo.

Já as despesas avançaram 1,9% acima da inflação, para R$ 201,5 bilhões, puxadas pelo Fundo Especial de Financiamento de Campanha (R$ 4,9 bilhões a mais, já que não houve repasse em 2025), por benefícios previdenciários (R$ 2,7 bilhões), abono e seguro-desemprego (R$ 2,4 bilhões) e créditos extraordinários (R$ 1,3 bilhão) para medidas ligadas aos conflitos no Oriente Médio.

No acumulado de janeiro a agosto, o déficit primário soma R$ 94,9 bilhões. Isso representa uma piora em relação ao mesmo período de 2025, que teve saldo positivo de R$ 87,5 bilhões, e é o pior resultado desde 2024, quando o rombo foi de R$ 107,1 bilhões em valores atualizados. Nesses oito meses, a receita líquida cresceu 5,7% acima da inflação e chegou a R$ 1,67 trilhão, enquanto as despesas totais somaram R$ 1,75 trilhão, também com alta real de 5,7%.

Para 2026, a meta fiscal é um superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões. Pelo arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há tolerância de 0,25 ponto percentual, então a meta será cumprida com saldo zero ou superávit de até R$ 68,6 bilhões.

O governo ainda pode abater R$ 67,3 bilhões em despesas, como precatórios, e prevê fechar o ano com déficit de R$ 67,3 bilhões, no limite da banda. Se isso se confirmar, as contas ficarão no vermelho durante todo o terceiro mandato de Lula.

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