Crise política entre Wilson e David gerou transtorno sobre passe livre estudantil
Rompimento de convênio do passe livre afeta finanças do transporte público e resulta na paralisação parcial da frota por atrasos salariais.
O encerramento da parceria entre o então governador Wilson Lima e o ex-prefeito David Almeida no dia 18 de maio de 2025 desencadeou uma grave crise no financiamento do transporte público de Manaus.
O convênio, que garantia o passe livre para alunos da rede estadual, havia sido iniciado em 2022 e renovado no início daquele mesmo ano. Com o fim do acordo, teve início uma batalha judicial.
O Estado defendia o pagamento de R$ 2,50 por estudante, valor correspondente à meia passagem, enquanto a prefeitura exigia R$ 8,20, referente à tarifa técnica que cobre os custos operacionais. A passagem normal cobrada nas catracas e no vale-transporte é de R$ 5. A Justiça deu ganho de causa ao governador.
Antes do rompimento, o repasse mensal era de R$ 10 milhões para cobrir as gratuidades. Sem a contribuição estadual, o município assumiu a operação sozinho, gerando cobranças por parte do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas.
O órgão exige R$ 90,1 milhões em repasses atrasados, baseando seu cálculo na tarifa técnica. Por outro lado, se aplicada a tarifa pública definida pela Justiça, a dívida seria de R$ 44,6 milhões.
Na última terça, dia 21 de julho, o governo depositou R$ 18 milhões na conta do sindicato e declarou o assunto encerrado, alegando já ter investido R$ 118 milhões durante toda a vigência da parceria. Após a determinação judicial, o Estado já havia pago R$ 19,1 milhões em setembro de 2025 e R$ 12 milhões em dezembro do mesmo ano.
A falta de consenso sobre os valores colocou o sistema em risco de colapso, conforme alertou o presidente do sindicato, César Tadeu Teixeira. As empresas de ônibus precisaram recorrer a empréstimos bancários para manter os veículos rodando.
O cálculo do governo considerava 2 viagens diárias por 22 dias úteis para 28.941 alunos, um limite estabelecido sem a concordância das empresas. Em 2025, havia 153.264 estudantes cadastrados no total.
O acúmulo da dívida ao longo de 2026 detalha o buraco financeiro, com R$ 4 milhões em fevereiro, R$ 4,7 milhões em março, R$ 4,8 milhões em abril, R$ 4,9 milhões em maio e mais R$ 4,9 milhões em junho, resultando no montante de R$ 44,6 milhões pela métrica da meia passagem.
Atualmente, o sistema transporta de graça cerca de 50.000 alunos, sendo 44.000 do Estado e 5.000 do município, o que representa 10% do volume municipal. Toda essa instabilidade financeira afetou diretamente os motoristas e cobradores.
Desde o dia 20, a categoria realiza uma paralisação que mantém apenas 70% da frota nas ruas. Os rodoviários protestam contra os atrasos frequentes no pagamento dos salários e no adiantamento mensal de 40%, refletindo nas ruas o impacto direto do impasse gerado nos gabinetes políticos.
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