Brasília aguarda decisão americana sobre novas tarifas
Prazo para governo de Donald Trump confirmar taxas de até 25% termina nesta quarta, enquanto o Brasil tenta ampliar exceções e estuda medidas de reciprocidade
O governo brasileiro se prepara para a decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas de 25% e 12,5% contra as exportações do país, cujo prazo final de definição é nesta quarta, dia 15.
A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha com a confirmação das taxas como o cenário mais provável. Essa percepção ganhou força após declarações de Jamieson Greer, representante do Departamento de Comércio americano, indicando que as duas nações seguem distantes de um consenso.
A primeira rodada de tarifas, de 25%, foi proposta por Donald Trump em 1º de junho como resultado de investigações sobre temas como PIX, pirataria e desmatamento ilegal.
No dia seguinte, uma taxa extra de 12,5% foi anunciada para 60 nações, incluindo o Brasil, motivada por falhas no combate ao trabalho forçado. Apesar do cenário adverso, negociadores brasileiros acreditam que o Departamento de Estado americano pode incluir novas exceções na lista final para evitar o desabastecimento e a alta de preços no próprio mercado interno.
A estratégia nacional foi debatida pelo presidente Lula em reunião com os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa. O chefe do Executivo orientou sua equipe a manter os canais de diálogo abertos até o último minuto, mesmo defendendo que as sobretaxas não possuem justificativa técnica.
O Ministério das Relações Exteriores mapeou 43 empresas e associações comerciais dos Estados Unidos que pressionam Washington contra a taxação, alegando que dependem de produtos brasileiros que não possuem substitutos no mercado americano.
Caso as tarifas se confirmem, a reação imediata do Brasil será formalizar um protesto classificando a medida como inaceitável. Posteriormente, o governo avaliará o impacto real da lista para decidir se acionará a Lei de Reciprocidade.
Essa legislação foi aprovada pelo Congresso Nacional e regulamentada no ano passado, justamente após Trump impor uma tarifa anterior de 50% sobre produtos brasileiros, e dá respaldo jurídico para o Estado brasileiro retaliar comercialmente nações que criem barreiras aos seus produtos.
Um adiamento da medida por iniciativa dos Estados Unidos é visto como pouco provável, a menos que ocorra por conveniência política. No início do mês, o senador Flávio Bolsonaro defendeu publicamente em audiência nos Estados Unidos que a taxação fosse postergada para depois do período eleitoral brasileiro.
Diplomatas em Brasília avaliam reservadamente que a ala mais ideológica do governo americano pode usar um eventual adiamento como um aceno político para fortalecer o parlamentar da oposição, que foi recebido na Casa Branca em maio deste ano.
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