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PCDs ganham menos e têm menor acesso ao mercado de trabalho, aponta IBGE

Em 2022, apenas 29% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam ocupadas; grupo também apresentou maiores índices de pobreza e analfabetismo

As pessoas com deficiência (PCDs) enfrentam mais dificuldades para entrar no mercado de trabalho e recebem, em média, 28,9% menos do que os trabalhadores sem deficiência. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (18) no informativo “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil”.

Em 2022, o Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais. Naquele ano, o rendimento médio mensal do trabalho era de R$ 2.053 entre PCDs, enquanto chegava a R$ 2.890 entre pessoas sem deficiência.

A diferença de renda foi registrada em todos os grupos de atividade analisados. Na indústria, por exemplo, a renda média das pessoas com deficiência era de R$ 1.859, contra R$ 2.630 entre os demais trabalhadores. Nos serviços de informação, atividades financeiras e outros serviços, os valores eram de R$ 2.754 e R$ 4.008, respectivamente.

O acesso ao emprego também apresenta uma diferença significativa. O nível de ocupação entre pessoas com deficiência era de 29%, enquanto entre aquelas sem deficiência chegava a 55,8%, uma diferença de 26,8 pontos percentuais.

Segundo o IBGE, as PCDs estão mais concentradas em atividades com rendimentos médios menores, como serviços domésticos, agropecuária e alojamento e alimentação. Além disso, a população com deficiência possui perfil mais envelhecido, o que aumenta a participação de aposentadorias, pensões e outros benefícios na composição da renda familiar.

A pesquisa também apontou uma incidência maior de pobreza entre pessoas com deficiência em todas as faixas etárias. Entre crianças de 2 a 14 anos, 60,9% viviam abaixo da linha da pobreza, definida pelo IBGE como rendimento domiciliar per capita inferior a R$ 770 por mês.

Na educação, as desigualdades também são expressivas. Em 2022, a taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência era de 12,2%, contra 1% entre aqueles sem deficiência. A frequência escolar também era menor entre PCDs, tanto na faixa de 6 a 14 anos, com 92,6% contra 98,4%, quanto entre adolescentes de 15 a 17 anos, com 79,5% contra 85,4%.

O IBGE ainda identificou limitações na oferta de recursos de acessibilidade nas escolas. Em 2022, 78,5% das instituições de educação básica tinham pelo menos um dos recursos avaliados, como banheiros acessíveis, salas de recursos multifuncionais ou profissionais de apoio.

A mobilidade é outro ponto de desigualdade. As pessoas com deficiência levavam, em média, 37 minutos para se deslocar entre casa e trabalho, quatro minutos a mais que as pessoas sem deficiência. Ônibus e BRT eram os meios mais utilizados, escolhidos por 24,7% dos entrevistados, seguidos pelos deslocamentos a pé, com 23,7%, e por automóveis, táxis ou similares, com 22,8%.

De acordo com o IBGE, o tempo registrado considera apenas o período dentro do transporte. Assim, o deslocamento total pode ser ainda maior para pessoas com deficiência, que podem enfrentar dificuldades adicionais para chegar aos pontos, acessar veículos e realizar o embarque.

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