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Fronteira de Ceuta é alvo de crise migratória

Governo espanhol mobiliza o Exército após onda histórica de marroquinos cruzar a costa a nado, resultando em dezenas de mortes.

A cidade autônoma de Ceuta, território da Espanha situado no norte da África, enfrenta uma intensa crise migratória. Em apenas 24 horas, o Ministério do Interior espanhol registrou a entrada de 60 mil migrantes oriundos do Marrocos. O grupo, composto majoritariamente por jovens, mas que inclui também crianças e famílias, utilizou principalmente o mar para realizar a travessia. Muitos entraram nadando ao redor dos quebra-mares da praia de Tarajal, enquanto outros caminharam pela costa ou tentaram escalar as cercas de proteção da fronteira.

A rota é conhecida por sua periculosidade e a atual travessia já contabiliza vítimas. De acordo com o governo de Ceuta, 34 pessoas morreram afogadas, com os corpos sendo resgatados pelas forças de segurança espanholas. Fontes policiais ligadas à agência EFE, no entanto, relatam a existência de 43 vítimas fatais.

O grande volume de chegadas sobrecarregou a polícia e a Guarda Civil, levando o governo da Espanha a enviar o Exército para apoiar o controle da região. O primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou uma ida ao local ao lado de seu ministro do Interior. Paralelamente, a União Europeia manifestou total apoio a Madri, avaliando o uso da agência Frontex para reforçar as fronteiras do bloco e a cooperação mútua.

Investigações preliminares do governo espanhol apontam que o fluxo maciço foi incentivado por redes de tráfico de pessoas, que se aproveitaram de alterações recentes nas leis de repatriação marítima. Até o momento, não há provas de participação do governo marroquino na coordenação. O atual episódio relembra e supera a crise de 2021, quando 5.000 imigrantes cruzaram a mesma fronteira em um único dia em meio a tensões diplomáticas envolvendo o território disputado do Saara Ocidental.

Todos os recém-chegados estão sendo encaminhados para centros de acolhimento, que já operavam muito perto do limite de sua capacidade. As autoridades locais farão a identificação e analisarão os pedidos de proteção internacional de forma individual. Aqueles que não se enquadrarem nas regras de refúgio poderão ser deportados de volta ao Marrocos, seguindo as determinações da Justiça espanhola e os acordos bilaterais vigentes.

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