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Paraguai fecha o Ueno Bank e congela o dinheiro de 3 milhões de clientes

Banco Central diz que solvência caiu a menos da metade do mínimo exigido; crise atinge também recursos públicos e a previdência do país

O Banco Central do Paraguai determinou a intervenção no banco digital Ueno Bank, depois de constatar que seu índice de solvência ficou abaixo da metade do mínimo exigido. A decisão foi anunciada na madrugada de terça-feira (3/11) e suspendeu de imediato todos os serviços da instituição.

O Ueno reúne 3 milhões de clientes, o equivalente a 60% da população adulta do país. Os correntistas relataram que não conseguiam usar caixas eletrônicos nem acessar os serviços pela internet. O banco administra ainda mais de US$ 800 milhões (cerca de R$ 4,4 bilhões) em recursos públicos, dos quais aproximadamente US$ 380 milhões (cerca de R$ 2,1 bilhões) pertencem ao Instituto de Previdência Social.

O Banco Central iniciou um processo de resolução bancária, que bloqueia ativos e passivos até que se defina o destino dos recursos. O Fundo de Garantia de Depósitos cobre até 228 milhões de guaranis por pessoa (cerca de R$ 211 mil), o equivalente a 75 salários mínimos. Quem tem valores acima disso terá de esperar o balanço definitivo da Superintendência de Bancos, e não há garantia de que todos recuperem a totalidade do dinheiro.

O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, classificou o caso como pontual e isolado e afirmou que o sistema financeiro segue sólido. Segundo ele, meses de investigação também identificaram empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo dono do banco. A imprensa paraguaia noticiou a prisão de dirigentes, entre eles Miguel Vázquez, presidente do Grupo Vázquez.

A crise é o desfecho de um escândalo que acompanha o governo de Santiago Peña desde 2023, quando ele nomeou Carvallo, então presidente-executivo do Ueno, para comandar o Banco Central, o que gerou críticas por suposto conflito de interesses. Carvallo anunciou que assinou a renúncia, mas continuará no cargo até a conclusão do processo.

Os reflexos políticos foram imediatos. O vice-presidente, Pedro Alliana, suspendeu temporariamente sua pré-candidatura à Presidência pelo Partido Colorado, e o pré-candidato do PLRA, Ricardo Estigarribia, disse que o partido pretende pedir o impeachment de Peña e de Alliana.

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