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Projeto lança 47 candidaturas para ampliar a bancada indígena

Iniciativa busca eleger representantes em 16 estados no ano de 2026, com foco em pautas climáticas, educacionais e defesa dos territórios.

Em 2022, o Brasil formou um Congresso Nacional com 72% de parlamentares brancos. Dos 513 eleitos, apenas 5 se autodeclararam indígenas, o que representa menos de 1% do total.

Apesar do número expressivamente baixo, o resultado foi considerado um marco histórico por colocar 4 mulheres e 1 homem simultaneamente na Câmara dos Deputados, sendo eles Célia Xakriabá, Juliana Cardoso, Silvia Waiãpi, Sônia Guajajara e Paulo Guedes. Antes de 2023, apenas 2 representantes haviam ocupado o cargo de forma titular no legislativo nacional. No Senado, a presença foi ainda mais rara, restrita a uma posse simbólica como suplente no ano de 2003.

Para transformar esse cenário de exclusão nas eleições de 2026, o movimento originário estruturou o projeto Aldear a Política. A iniciativa reúne 47 pré-candidaturas em 16 estados e no Distrito Federal. A Rede Sustentabilidade lidera o quadro com 15 nomes, seguida pelo PT com 12 e pelo PSOL com 10, além de 10 postulantes divididos entre as legendas MDB, PV, PSB, PSD, PDT e Avante.

O objetivo central é consolidar a chamada Bancada do Cocar e conseguir eleger entre 6 e 8 parlamentares federais, superando quase 40 anos de barreiras estruturais e o que as lideranças indígenas definem como o racismo da ausência.

Os participantes do projeto argumentam que a perspectiva indígena é vantajosa e necessária para toda a sociedade brasileira, não se limitando apenas às aldeias. Isael Munduruku, que é o único na disputa majoritária ao tentar o governo do Amazonas, defende o fortalecimento de pautas econômicas baseadas na biotecnologia e no turismo sustentável. Chirley Pankará, candidata no estado de São Paulo, reforça a urgência de integrar as demandas originárias a outras lutas sociais de saúde, infância e proteção às minorias.

A defesa territorial e climática é a principal pauta unificada, acompanhada pela valorização do ensino, que ganhará força com a previsão de 2800 vagas na futura Universidade Federal Indígena a partir de 2027.

Apesar da articulação, o caminho eleitoral esbarra em obstáculos históricos. A falta de financiamento adequado e o racismo institucional enraizado nas estruturas de poder são apontados pelos candidatos como as maiores dificuldades na corrida eleitoral.

Entretanto, o grupo conta com um avanço judicial recente do Tribunal Superior Eleitoral, o qual garante que as candidaturas indígenas terão acesso à distribuição proporcional dos recursos de fundos partidários e do tempo de propaganda na televisão e no rádio. Lançado nacionalmente no dia 20 de junho, o projeto busca combater 526 anos de invisibilidade e inserir a ancestralidade na tomada de decisões do país.

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