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Terras raras entram na pauta do Congresso e ampliam oportunidades para o Amazonas

Estado tem potencial em minerais estratégicos, mas avanço do setor depende de pesquisa, proteção ambiental e agregação de valor à produção

O avanço da discussão sobre minerais críticos e estratégicos no Congresso pode abrir uma nova frente para a economia do Amazonas. O tema ganhou força após o acordo firmado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, que incluiu a votação do marco legal do setor entre as prioridades da próxima semana.

A proposta, já aprovada pela Câmara e em análise no Senado, cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e um conselho ligado à Presidência da República para coordenar as ações do setor. O projeto também prevê medidas que abrangem desde a pesquisa e extração até o beneficiamento e a transformação industrial dos minerais no país.

As terras raras fazem parte desse grupo e são utilizadas na fabricação de smartphones, computadores, veículos elétricos, baterias, turbinas eólicas, equipamentos médicos e sistemas de defesa. Para o Amazonas, a discussão ganha relevância devido à existência de áreas com potencial geológico para esses minerais.

Um dos principais exemplos é o Morro dos Seis Lagos, em São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro. Estudos do Serviço Geológico do Brasil apontam potencial para terras raras e nióbio na região. No entanto, qualquer possibilidade de exploração enfrenta restrições ambientais e territoriais, já que a área está inserida na Terra Indígena Balaio, na Reserva Biológica Morro dos Seis Lagos e no Parque Nacional do Pico da Neblina, além de apresentar dificuldades de acesso.

Outro destaque é a mina de Pitinga, em Presidente Figueiredo. Embora seja conhecida pela produção de estanho, a província mineral também apresenta ocorrências de nióbio, tântalo e outros elementos associados à cadeia de minerais estratégicos.

Dados divulgados em julho pela Agência Nacional de Mineração indicam que a Amazônia Legal concentra quase metade do valor gerado pelos minerais estratégicos no Brasil. Apesar disso, a atividade mineral da região ainda está concentrada principalmente em produtos como ferro, bauxita, cobre e ouro.

O desafio para o Amazonas será transformar o potencial mineral em desenvolvimento econômico, ampliando o beneficiamento e a industrialização dentro da própria região. A exploração de terras raras e outros minerais estratégicos, portanto, dependerá de investimentos em pesquisa e tecnologia, além do cumprimento das regras ambientais e territoriais.

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