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Petróleo do Brasil e Guiana vira foco da Europa com alta de 20% nas vendas

A queda na demanda chinesa e os preços mais atrativos impulsionam o envio de barris da América Latina para o continente europeu.

As exportações de petróleo do Brasil e da Guiana para a Europa registraram um crescimento de 20% em 2026, considerando os dados acumulados até o dia 28 de julho. As refinarias europeias estão substituindo os produtos da África Ocidental por barris da América Latina, que oferecem custos menores.

No total, a média de importação europeia desses dois países atingiu 1.035.000 barris por dia, superando os 865.000 registrados no mesmo período do ano anterior. O Brasil exportou 478.000 barris diários, marcando uma alta de 8,6%, enquanto a Guiana alcançou 557.000 barris por dia, um salto de 31%.

Lina Bulyk, especialista da consultoria Argus, afirma que o produto sul-americano é consideravelmente mais barato e atrai compradores europeus interessados em diversificar fontes e proteger suas margens de lucro.

Embora o petróleo da África Ocidental possua menos contaminantes e maior rendimento de derivados valiosos como o diesel, processar o produto do Brasil e da Guiana tem se mostrado mais lucrativo para a maioria das refinarias europeias capacitadas para essa matéria-prima.

Como exemplo prático, o petróleo do campo brasileiro de Búzios chegou a custar US$ 5,50 a menos por barril em comparação ao petróleo nigeriano Forcados ao longo dos últimos 12 meses.

Esse cenário ocorre em meio a uma forte volatilidade no mercado do petróleo Brent, que enfrentou picos de até US$ 120 por barril desde o ano de 2022 devido à guerra no Irã. O aumento nas vendas para a Europa também é reflexo direto do recuo do mercado asiático.

As refinarias da China diminuíram suas compras em mais de 33% para os meses de agosto e setembro, uma vez que as margens de refino na região perderam a atratividade econômica frente aos custos de exportação.

Um relatório divulgado pela Petrobras confirmou essa mudança de fluxo nas operações da estatal. A fatia da China caiu de 62% no primeiro trimestre para 35% no segundo trimestre. Simultaneamente, as vendas para a Europa subiram de 8% para 18%, e os envios para a Índia cresceram de 15% para 22%.

Com os novos recordes de produção no pré-sal brasileiro e o desenvolvimento da Guiana no Atlântico equatorial, a perspectiva é que a presença desses países no mercado europeu continue em expansão, mantendo os preços altamente competitivos no cenário internacional.

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