Super El Niño pode causar até 13,3 mil mortes por calor no Brasil
Relatório da Universidade de Chicago projeta 451 mil vítimas no mundo até fevereiro de 2027, com Norte e Nordeste entre as regiões mais afetadas
O calor extremo provocado pelo Super El Niño pode levar a 13,3 mil mortes no Brasil, a maioria nas regiões Norte e Nordeste, segundo relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago divulgado nesta quarta-feira (23).
O país deve ser o mais atingido da América Latina e aparece na 5ª posição entre os que terão mais óbitos, atrás de Índia, Sudão, Indonésia e Nigéria. Ao todo, são esperadas 451 mil mortes no planeta até fevereiro de 2027, no episódio mais intenso do fenômeno nos últimos anos, marcado pelo aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico.
Pelas projeções, o Super El Niño, iniciado em junho de 2026, deve quase dobrar o número de dias extremamente quentes até fevereiro de 2027, com temperaturas ao menos 1,2 ºC acima do normal.
No Brasil, o período mais crítico será o verão, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. As maiores estimativas estão no Pará, com 2,3 mil mortes, seguido do Maranhão, com 1,3 mil, e de Amazonas e Bahia, com 1,2 mil cada. Para se preparar, o país instalou bases da Força Nacional do SUS, com equipamentos e pessoal para emergências e desastres.
Fora do Brasil, o Sul global concentra os impactos. Na África, o relatório prevê 67 mil mortes, sobretudo no Sahel, com destaque para Nigéria (31,4 mil), Sudão (17,5 mil), Níger (10 mil) e Chade (8 mil). No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja podem somar 19,4 mil mortes acima do normal, e a Índia, mais 15,8 mil.
Nas Américas, os Estados Unidos aparecem com 3,5 mil mortes adicionais, a Venezuela com 2,3 mil e a Colômbia com 2,2 mil. Os números foram calculados com base em estudos anteriores que relacionam temperatura e mortalidade, considerando o clima local, a vulnerabilidade da população e a capacidade de adaptação de cada região.
Os pesquisadores alertam que as estimativas podem crescer se o fenômeno se prolongar e o descrevem como um “cartão-postal do futuro” diante das mudanças climáticas.
Para reduzir as mortes, recomendam ações multilaterais já comprovadas, como alertas de calor, centros de resfriamento, pontos de hidratação e proteção a trabalhadores e grupos vulneráveis, com início imediato. “Precisamos mobilizar recursos agora”, afirmou Tamma Carleton, coautora do relatório.
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