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Prefeito de Coari e ex-secretários passam a usar tornozeleira e não podem deixar o país


Medidas determinadas por Moraes atingem investigados da Operação Dinastia do Lago, que apura fraudes em contratos da prefeitura amazonense

O prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Dinastia do Lago, da Polícia Federal (PF).

Ele e outros investigados também tiveram os passaportes recolhidos e estão proibidos de deixar o país. Segundo a TV Globo, as restrições atingem ainda ex-secretários municipais de Educação, Limpeza Pública, Fazenda, Casa Civil e Esportes, além de três empresários presos com R$ 1,25 milhão em espécie no Aeroporto de Brasília, episódio que originou o caso. No total, 12 pessoas são alvo das medidas.

A operação, deflagrada no dia 16, investiga suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro em contratos da Prefeitura de Coari, no interior do Amazonas. Nessa data, Moraes já havia afastado Adail Pinheiro do cargo por 90 dias, e a presidente da Câmara Municipal, Jeany Pinheiro (Republicanos), irmã do prefeito, assumiu interinamente.

O vice, Emanoel Pinheiro, está afastado para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas nas eleições de outubro. Foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, e o principal alvo é o deputado federal Adail Filho (MDB-AM), filho do prefeito. A defesa dos dois disse ter recebido a operação “com surpresa”, classificou o afastamento como desnecessário e lembrou que eles não são réus nem têm condenação no caso.

A investigação nasceu da prisão em flagrante, em maio de 2025, dos empresários Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho, que levavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em um voo entre Manaus e Brasília sem comprovar a origem do dinheiro.

Documentos e aparelhos apreendidos, analisados com autorização judicial, indicaram movimentações financeiras suspeitas e possíveis ligações com contratos da prefeitura. Segundo a apuração, empresas ligadas aos investigados que tinham contratos com o município podem ter sido usadas para fraudar licitações, e o caso envolve ainda emendas parlamentares destinadas a Coari em 2024 e 2025. Um despacho de Moraes aponta repasses financeiros dessas empresas em benefício de Adail Filho e de Adail Pinheiro.

O inquérito foi aberto no STF a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e encaminhado à PF. Em 24 de junho de 2026, Moraes prorrogou a investigação por mais 60 dias, a pedido da polícia, que apontou a complexidade dos fatos, o número de pessoas físicas e jurídicas envolvidas e diligências ainda pendentes.

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