Rentabilidade de CDBs recua com novas regras e quebra do Banco Master
Fim da era dos retornos exorbitantes atinge bancos médios, enquanto mercado prevê Selic alta e Banco Central aperta exigências do fundo garantidor.

A liquidação de instituições financeiras no fim de 2025, incluindo o Banco Master, transformou profundamente o mercado de renda fixa no Brasil. A estratégia de atrair investidores com Certificados de Depósito Bancário oferecendo retornos de até 120% do CDI, amparados pela segurança do Fundo Garantidor de Crédito, perdeu força.
De acordo com um levantamento da provedora de dados Quantum, as taxas máximas praticadas por bancos médios e pequenos em maio alcançaram apenas 106,9% do CDI, índice registrado pela fintech Qista Crédito. Outras instituições financeiras, como Pine e BMG, ofereceram retornos na faixa de 106%.
O cenário é ainda mais contido nos grandes bancos varejistas. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o Santander emitiram certificados recentes com taxas médias de 95%, 90% e 97% do CDI, respectivamente. Na média geral do mercado, as emissões ficaram em 100,67% do referencial pós-fixado, indicando uma postura mais cautelosa de todo o setor.
Apesar da redução na rentabilidade, a procura por esses produtos financeiros segue intensa devido às projeções para a taxa Selic. Diante dos sinais de aceleração da inflação, especialistas preveem que a taxa básica de juros permaneça em patamares elevados.
A estimativa atual do mercado indica que a Selic deve encerrar 2026 em 13,50% ao ano. Instituições renomadas projetam que a autoridade monetária interromperá os cortes quando a taxa atingir a marca de 14% ao ano, mantendo o forte apelo conservador da renda fixa.
Além do cenário econômico, o Banco Central adotou medidas para aumentar a segurança do sistema. Em maio, foram estabelecidas novas regras para a utilização da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, com a criação do indicador chamado Ativo de Referência. Essa ferramenta mede a qualidade e a diversificação dos ativos dos bancos.
Agora, se uma instituição captar um volume alto de recursos cobertos pelo fundo e não possuir garantias suficientes, será obrigada a direcionar parte desse montante para títulos públicos federais. Essa exigência garante a formação de um colchão de liquidez e previne captações excessivas sem critérios de segurança, corrigindo vulnerabilidades que levaram à falência de instituições nos últimos meses.