Comida e conta de luz pressionam inflação e acendem alerta no Banco Central
Mesmo com desaceleração no mês, IPCA acumulado ultrapassa teto da meta e atinge 4,72%, reduzindo margem para novos cortes de juros.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo registrou um avanço de 0,58% em maio, segundo os dados mais recentes do IBGE. Apesar de o número indicar um recuo na comparação com o mês anterior, a inflação acumulada nos últimos 12 meses deu um salto e atingiu o patamar de 4,72%. Com esse resultado, o indicador oficial ultrapassou o teto de tolerância estipulado pelo Conselho Monetário Nacional para o ano corrente, que prevê um limite máximo de 4,5%.
O setor de alimentos e bebidas foi o grande vilão do período, registrando uma elevação de 1,33%. O destaque negativo ficou com os produtos consumidos no próprio domicílio, que apresentaram o maior aumento para o mês de maio dos últimos 18 anos. Itens essenciais na mesa dos brasileiros, como a batata-inglesa, o tomate e a cebola sofreram aumentos expressivos devido à menor oferta e ao custo elevado do transporte.
O segmento de habitação também pesou no bolso da população por causa da conta de energia elétrica residencial, que encareceu em decorrência da vigência da bandeira tarifária amarela e de reajustes aplicados em várias capitais. Adicionalmente, a área de saúde e cuidados pessoais subiu impulsionada por altas em itens de higiene pessoal e em planos de saúde.
Por outro lado, o grupo de transportes ofereceu o único alívio no índice geral, registrando uma retração em seus preços. Essa queda foi sustentada pela redução nos valores dos combustíveis nas bombas, com destaque para as baixas na gasolina, no óleo diesel e no etanol. Contudo, essa redução foi parcialmente atenuada pela alta nas passagens aéreas e pelos reajustes em tarifas de ônibus e metrô em algumas localidades brasileiras.
O cenário de inflação resiliente eleva de forma significativa a pressão sobre o comitê de política monetária do Banco Central. Especialistas apontam que fatores como um mercado de trabalho aquecido, a economia aquecida e o impacto dos conflitos internacionais deixam pouco espaço para que a taxa básica de juros, atualmente em 14,50% ao ano, continue caindo. Diante disso, analistas de mercado avaliam que a autoridade monetária pode optar por uma pausa imediata na redução da taxa Selic para conter o avanço generalizado dos preços.