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Píer provisório: entenda por que a iniciativa do Grupo Chibatão em Itacoatiara é tão importante para o Amazonas

Idealizada por José Ferreira de Oliveira, o Sr. Passarão, solução criada para enfrentar os desafios da navegação durante a estiagem volta a operar em 2026 e mostra como inovação e conhecimento da Amazônia podem proteger a economia do estado

Em uma região onde os rios são parte fundamental da infraestrutura de transporte, encontrar soluções para manter a logística funcionando durante a estiagem é uma questão estratégica. Foi olhando para essa realidade que o Grupo Chibatão transformou uma ideia inovadora em uma alternativa concreta para o Amazonas: o píer provisório flutuante em Itacoatiara.

A estrutura voltou a operar em 2026 e realizou sua primeira movimentação no último domingo (4), na região do Tabocal. O navio Fernão de Magalhães, da Aliança Navegação e Logística, atracou no píer com 1.111 contêineres. Desse total, 290 foram programados para transbordo para três balsas, reduzindo o peso e o calado do navio para que a embarcação pudesse continuar a navegação em direção a Manaus.

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A operação parece simples quando resumida dessa forma. Por trás dela, porém, existe uma estrutura logística que envolve engenharia, navegação, equipamentos, profissionais especializados, monitoramento, controle aduaneiro e integração com órgãos públicos e empresas privadas.

E existe também uma história.

Uma ideia que nasceu do conhecimento da Amazônia

A concepção do píer provisório está diretamente ligada à visão de José Ferreira de Oliveira, o Sr. Passarão, fundador do Grupo Chibatão.

Conhecedor dos rios e dos desafios de movimentar cargas em uma região com dimensões continentais e forte dependência do transporte aquaviário, Sr. Passarão construiu sua trajetória apostando em soluções próprias para problemas que muitas vezes não encontram respostas prontas fora da Amazônia.

O píer provisório segue essa lógica. Em vez de esperar que a redução do nível dos rios interrompa ou comprometa a chegada das grandes embarcações a Manaus, a estrutura cria um ponto operacional estratégico em Itacoatiara.

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Ali, parte da carga pode ser retirada dos navios e transferida para balsas. Com menos peso e menor calado, as embarcações ganham melhores condições para prosseguir até Manaus, enquanto os contêineres transbordados também seguem viagem pelo rio.

É uma solução pensada a partir da própria geografia amazônica.

Uma estratégia que já mostrou resultado

A operação não começa do zero em 2026. O modelo foi colocado à prova durante a severa estiagem de 2024.

Naquele ano, o píer provisório instalado em Itacoatiara recebeu 35 navios e movimentou quase 59 mil contêineres, contribuindo para que matérias-primas, insumos e mercadorias continuassem avançando em direção a Manaus em um momento de grandes restrições à navegação.

Dois anos depois, a estrutura retorna ao mesmo ponto com a experiência acumulada da primeira operação e novos processos de controle.

O diretor executivo do Grupo Chibatão, Jhony Fidelis, resumiu o objetivo durante a primeira movimentação deste ano.

“Estamos na terceira fase da operação em Itacoatiara. A primeira foi o deslocamento do píer, a segunda foi a ancoragem de toda essa infraestrutura no Rio Amazonas e agora chegamos à atracação e à operação do navio. O Fernão de Magalhães está com 1.111 contêineres e 290 serão transbordados para três balsas. Com isso, o navio fica mais leve e consegue seguir até Manaus, enquanto as balsas também seguem transportando as cargas. É uma estratégia para que o nosso estado não pare”, explicou.

Uma grande operação no meio do Rio Amazonas

Para chegar à primeira atracação, houve uma operação muito maior nos bastidores.

O píer foi deslocado de Manaus até Itacoatiara, posicionado na região do Tabocal e fixado com 27 poitas, responsáveis por garantir estabilidade e segurança à estrutura. O trabalho envolveu equipamentos pesados, equipes especializadas e uma série de procedimentos antes da liberação para receber o primeiro navio.

Já instalado, o píer está preparado para funcionar 24 horas por dia, com três guindastes destinados à movimentação dos contêineres e um equipamento de apoio. Cerca de 150 profissionais estão envolvidos na operação, sendo 50 contratados em Itacoatiara.

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A estrutura também conta com sistemas de câmeras, monitoramento e controle das embarcações envolvidas no transbordo.

A Receita Federal inaugurou, junto com a primeira movimentação, a Operação Aduana Flutuante, com equipes previstas para acompanhar presencialmente as operações em Itacoatiara até dezembro. A Marinha do Brasil também participou de todo o processo de análise de segurança, deslocamento, posicionamento e condições de manobra do píer.

Muito além de uma operação portuária

A importância da estrutura aparece quando se observa o que existe depois de cada contêiner.

O Amazonas possui uma economia fortemente ligada ao Polo Industrial de Manaus. São cadeias produtivas que dependem da chegada de componentes e matérias-primas e, ao mesmo tempo, precisam escoar sua produção. O comércio e o abastecimento também dependem de uma logística capaz de atravessar as particularidades da região.

Quando a vazante limita a navegação, portanto, o problema deixa de ser apenas portuário. Pode chegar à fábrica, ao estoque, ao comércio e ao consumidor.

É justamente nesse ponto que o píer provisório ganha dimensão estratégica: ele cria uma alternativa antes que a dificuldade de navegação se transforme em interrupção logística.

O legado continua

Se a ideia nasceu da visão do Sr. Passarão, sua continuidade também diz muito sobre o momento atual do Grupo Chibatão.

A gestão corporativa mantém uma estratégia de investimentos em infraestrutura, tecnologia e capacidade operacional, preservando uma característica que acompanha a empresa desde sua origem: procurar dentro da própria Amazônia respostas para os desafios da Amazônia.

Durante a primeira operação em Itacoatiara, Jhony Fidelis fez questão de relacionar o momento ao fundador.

“O Grupo Chibatão se sente muito honrado e muito feliz em poder, através da sua infraestrutura, contribuir com a logística do Amazonas, assim como o nosso fundador, o Sr. Passarão, fazia. O DNA dele está vivo em cada um de nós e temos a responsabilidade de dar continuidade a esse trabalho”, afirmou.

Essa talvez seja a melhor forma de entender o que representa o píer provisório.

Não se trata somente de uma estrutura flutuante instalada em Itacoatiara. É uma solução desenvolvida a partir de décadas de experiência nos rios, que já foi testada em uma das estiagens mais severas enfrentadas pelo Amazonas e que agora volta a funcionar para dar uma alternativa à cadeia logística do estado.

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A primeira operação de 2026 já começou. E, no meio do Rio Amazonas, uma ideia concebida pelo Sr. Passarão continua cumprindo exatamente o propósito que ajudou a construir a história do Grupo Chibatão: encontrar caminhos para que o Amazonas continue em movimento.

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