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Educação

Práticas pedagógicas fortalecem a cultura indígena nas escolas da rede estadual do Amazonas

FOTOS: Arquivo/Secretaria de Estado de Educação e Desporto

Na rotina escolar, alunos contam com atividades culturais, além da agricultura e piscicultura, tendo como ênfase os costumes tradicionais

Com mais de 10 mil alunos matriculados na Educação Indígena, na rede pública de ensino do Amazonas, a Secretaria de Educação e Desporto desenvolve práticas pedagógicas junto aos alunos e educadores, com o objetivo de fortalecer a cultura dos povos originários, costumes e tradições. Entre as atividades, destacam-se atividades culturais, gastronomia regional, agricultura indígena e a criação de peixe.

No Amazonas são 34 municípios que oferecem a Educação Escolar Indígena, com um total de 816 salas de aula. As regiões do Alto Solimões e Alto Rio Negro registram o maior número de alunos matriculados nesta modalidade de ensino, sendo 5 mil e 3,3mil estudantes, nas duas regiões, respectivamente. Nas escolas, por meio das práticas pedagógicas, os alunos são estimulados a terem cada vez mais contatos com suas origens.

Os projetos políticos pedagógicos são desenvolvidos a partir das experiências específicas de cada localidade. Na comunidade Filadélfia, no município de Benjamin Constant (distante a 1.121 quilômetros de Manaus), na região do Alto Solimões, a Escola Estadual Índígena Professor Gildo Sampaio Megatanücü implantou o Museu na Escola. 

A proposta do museu surgiu de uma atividade artística idealizada pelo professor Melquezedec Pereira Cavalcante, da etnia Kokama, em 2021. A partir de então, em uma sala de aula, passaram a ser reunidos artesanatos produzidos pelos próprios alunos dos povos Tikuna, Kokama, Marubo e Matis, que residem no município.

De acordo com a gestora da escola indígena, Marilucia de Almeida Vasque, do povo Tikuna, hoje, a escola tem 279 alunos no Ensino Médio e toda a comunidade escolar se envolve com o museu. Para a gestora, o espaço tem como principal objetivo resgatar e valorizar a cultura, a importância dos povos originários, além do trabalho intercultural, uma vez que trabalha com diferentes etnias.

“Todo o material é produzido e doado pelos nossos alunos. É uma forma de avaliar a participação deles, mas também é um meio de construir e reconstruir a nossa própria história. Precisamos conhecer nossa origem, nossa cultura”, afirmou a gestora.

Entre as peças que já foram doadas para o museu da escola destacam-se tururi (vestimenta), colar, cocar, cestarias, esculturas e redes.

Alto Rio Negro

No município de São Gabriel da Cachoeira (distante a 852 quilômetros de Manaus), umas das práticas pedagógicas reconhecidas, inclusive, pelo Conselho de Educação Indígena, acontece na Escola Estadual Dom Pedro Massa, onde os alunos trabalham com a agricultura indígena e a criação de peixe.

De acordo com o coordenador de educação no município, professor Domingos Sávio Camico Agudelos, esses projetos estão ligados às propostas políticas pedagógicas que têm como objetivo formar o aluno tanto para o mercado de trabalho, quanto para saber lidar com a vida na comunidade.

“Na escola, os alunos trabalham o fortalecimento da agricultura familiar indígena, cultivando, por exemplo, plantas comestíveis utilizadas pelos indígenas. Outro exemplo, é a criação de peixe. Tudo que é produzido é utilizado para consumo interno”, destacou o coordenador.

Escola de Tempo Integral Bilíngue

Em São Gabriel da Cachoeira também está situada a segunda escola indígena bilíngue no Brasil, a Escola Estadual Pamuri Mahsa Wi’i, na comunidade de Iauaretê, que valoriza a língua materna, tanto na questão da gramática, quanto no uso cotidiano.

“A língua é a vida de um povo e a escola bilíngue valoriza a cultura, principalmente, entre os jovens, para que não percam seus costumes e tradições. Os alunos absorvem e utilizam na escola, em casa e, também, na sua comunidade. É uma questão da afirmação da identidade”, destacou a coordenadora adjunta pedagógica, Maria Suely de Andrade Ambrosio

Além da língua portuguesa e da língua materna, a escola também trabalha o Espanhol, por ser uma escola de fronteira, e está introduzindo o inglês.

“Os alunos se dedicam muito ao inglês, porque auxilia eles com os aparelhos tecnológicos, então isso para eles é muito bom. Além disso, o fato da escola ser de tempo integral, os alunos trabalham os conteúdos teóricos pela manhã e, no período da tarde, a prática, como a gastronomia regional e de artes e cultura”, ressaltou Suely. 

De acordo com o gerente de educação escolar indígena da Secretaria de Educação, a “Língua Indígena” é um componente curricular obrigatório no Ensino Indígena da secretaria.

“Desde 2015, quando foi implantada a Matriz Intercultural de Referência para as escolas estaduais indígenas, o ensino é ofertado para os alunos do Ensino Fundamental e Médio. Com a implantação do Novo Ensino Médio Indígena (Nemi), neste ano letivo de 2023, ela continua com componente curricular obrigatório na Formação Geral Básica”, afirmou o gerente.

Com informação da assessoria.