Estudo do WWF aponta prejuízo de R$ 47 bilhões caso Brasil explore petróleo na Foz do Amazonas
Um estudo inédito lançado pelo WWF-Brasil nesta quinta-feira (23) revela que a decisão de explorar petróleo na bacia da Foz do Amazonas pode resultar em uma perda econômica e social de R$ 47 bilhões para o país. O levantamento compara o investimento em combustíveis fósseis na Margem Equatorial com alternativas focadas em energias renováveis e eletrificação, utilizando a metodologia de Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB), a mesma recomendada pelo TCU.
O cálculo das perdas baseia-se em dois eixos: R$ 22,2 bilhões de saldo negativo estimados para a própria exploração petrolífera ao longo de 40 anos e R$ 24,8 bilhões que o Brasil deixaria de lucrar por não investir em redes de eletrificação. Segundo os consultores do estudo, quando se somam os custos de operação às chamadas “externalidades”, como os danos causados pelas emissões de gases de efeito estufa, o benefício financeiro do petróleo é superado pelos prejuízos à sociedade.
O custo oculto do carbono e as emissões
O modelo projeta que, em 30 anos de operação (iniciando em 2036), a exploração de uma reserva estimada em 900 milhões de barris geraria a emissão de 446 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Esse impacto ambiental, traduzido em custo social, representaria um prejuízo à população que varia entre R$ 21 e R$ 42 bilhões.
De acordo com o estudo, as petroleiras tornam-se lucrativas apenas em cenários onde não há ações climáticas globais suficientes. O relatório ressalta que o saldo líquido negativo da rota fóssil ocorre porque os benefícios gerados não conseguem cobrir a soma dos gastos de produção com os danos ambientais e sociais de longo prazo.
Alternativas de investimento: Eletrificação e Biocombustíveis
Para fundamentar o contraponto, o WWF-Brasil comparou o petróleo a dois cenários alternativos que entregariam a mesma quantidade de energia (48,63 TWh/ano):
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Rota da Eletrificação: Composta por energia eólica, solar, biomassa e biogás. Diferente do petróleo, que exige 10 anos de exploração inicial, a eletrificação poderia ser implementada imediatamente, gerando um retorno positivo de quase R$ 25 bilhões para a sociedade brasileira.
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Rota dos Biocombustíveis: Substituição da gasolina por etanol, do diesel por biodiesel e do querosene de aviação por SAF. Embora os custos de produção sejam elevados, o impacto das externalidades é muito menor, resultando em um custo R$ 29,3 bilhões inferior ao do sistema baseado em combustíveis fósseis.
O posicionamento da Petrobras e do Governo
Apesar do alerta ambiental, a Margem Equatorial é vista pela Petrobras como uma fronteira estratégica e vital para substituir a produção do pré-sal após 2030. Com potencial estimado de 30 bilhões de barris, a estatal defende que a exploração é necessária para garantir a autossuficiência brasileira na próxima década.
O governo federal mantém a defesa de que as receitas provenientes do petróleo nessa região sensível, entre o Amapá e o Pará, devem ser justamente o motor financeiro para custear a transição energética do país.
