Queda do dólar impulsiona viagens e brasileiros batem recorde de gastos no exterior

Queda do dólar impulsiona viagens e brasileiros batem recorde de gastos no exterior
De acordo com o Banco Central, despesas lá fora somaram US$ 6,04 bilhões entre janeiro e março; no mesmo período, o déficit das contas externas apresentou retração de 10,76%.

O volume de gastos realizados por brasileiros em viagens internacionais alcançou a marca de US$ 6,04 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (24). O montante representa uma alta de 21,9% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior e estabelece o maior valor para um início de ano desde o começo da série histórica, em 1995. Apenas no mês de março, as despesas totalizaram US$ 1,99 bilhão, também um recorde para o período.

O principal motor para este avanço foi a desvalorização da moeda norte-americana. Apesar de oscilações pontuais, o dólar acumulou uma queda de 8,85% no ano, o que reduz diretamente o custo de passagens aéreas, hospedagens e o consumo de bens e serviços em solo estrangeiro. Analistas apontam que a valorização do real frente ao dólar tem sido sustentada pela posição do Brasil como exportador de petróleo em meio a conflitos no Oriente Médio, além da resiliência da atividade econômica interna.

Comportamento das contas externas

Paralelamente ao aumento dos gastos turísticos, o déficit em transações correntes do Brasil registrou uma melhora de 10,76% no primeiro trimestre. O saldo negativo, que abrange a balança comercial, a conta de serviços e as remessas de rendas para o exterior, recuou de US$ 22,71 bilhões em 2025 para US$ 20,27 bilhões nos primeiros três meses de 2026.

A autoridade monetária associa a redução desse rombo à desaceleração da economia. Historicamente, períodos de crescimento mais contido resultam em uma menor demanda nacional por produtos e serviços internacionais, o que tende a equilibrar os indicadores do setor externo do país.

Fluxo de investimentos estrangeiros

Os Investimentos Diretos no País (IDP) apresentaram uma leve retração no primeiro trimestre de 2026, totalizando US$ 21,03 bilhões, frente aos US$ 23,04 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Apesar do recuo, o Banco Central destacou que os ingressos de capital estrangeiro foram suficientes para financiar integralmente o déficit das contas externas no período, mantendo a estabilidade do balanço de pagamentos.

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