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Esquerda contesta apuração e Colômbia aguarda resultado oficial de eleição presidencial

Após pré-contagem apontar vitória do candidato de direita Abelardo de la Espriella, Iván Cepeda anuncia pedido de revisão em 33.000 mesas eleitorais e presidente Gustavo Petro pede cautela.

O candidato de esquerda à presidência da Colômbia, Iván Cepeda, declarou que vai pedir a impugnação de 33.000 mesas de votação após a contagem preliminar apontar a vitória de seu oponente de direita, Abelardo de la Espriella, no 2º turno realizado no domingo. Com 99,99% das urnas apuradas, Espriella somava 12.959.542 votos contra 12.708.712 de Cepeda, configurando uma diferença de aproximadamente 250.000 eleitores.

Segundo a equipe de Cepeda, advogados do partido identificaram erros técnicos e irregularidades durante a votação. Como cada mesa pode registrar até 300 votos, o pedido tem potencial para alterar o cenário atual.

A legislação colombiana divide a apuração em duas fases principais. A primeira é a pré-contagem, que projeta um vencedor preliminar. O resultado definitivo apenas é proclamado após o escrutínio oficial, processo no qual juízes revisam as atas para corrigir inconsistências. Diante disso, tanto Cepeda quanto o atual presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmaram que não reconhecem o resultado até a conclusão do escrutínio, que deve terminar nesta segunda-feira.

Petro destacou que o país está dividido e mencionou uma suposta interferência estrangeira, pedindo calma à população. Por outro lado, o Conselho Nacional Eleitoral relatou que o pleito ocorreu de forma pacífica, com a presença de observadores internacionais.

Do lado vencedor da pré-contagem, Espriella já celebrou o resultado e prometeu firmar acordos militares com os Estados Unidos para combater o crime organizado. Advogado e empresário sem experiência política anterior, ele é cidadão americano naturalizado e possui forte alinhamento com figuras conservadoras internacionais.

Sua campanha foi marcada por um discurso antissistema, promessas de construir 10 megaprisões e uma postura inflexível contra grupos armados, rejeitando qualquer possibilidade de diálogo de paz. Ele também prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40% e sugeriu a retirada da Colômbia de órgãos como a Organização das Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos.

A possível eleição de Espriella representa uma guinada conservadora na política colombiana e se alinha a um movimento regional de direita, recebendo inclusive comemorações do presidente argentino Javier Milei. O candidato, que também gerencia uma marca pessoal de vendas pela internet, enfrentou controvérsias durante a campanha, incluindo declarações polêmicas na televisão e questionamentos sobre seu passado como advogado de Alex Saab, empresário ligado ao governo venezuelano.

Apesar de o atual governo de esquerda ter aumentado o salário mínimo em 75% e reduzido o desemprego, a violência se consolidou como a maior preocupação dos eleitores, impulsionando a aceitação de propostas focadas em segurança rígida.

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