Lucro bancário atinge R$ 255 bilhões em 2025 e quebra recorde histórico
Mesmo com a taxa Selic em 15%, o setor financeiro diversificou receitas e reduziu custos estruturais, enquanto especialistas debatem o verdadeiro impacto dos juros na economia.
O sistema bancário brasileiro registrou um lucro líquido recorde de R$ 255 bilhões no ano de 2025, de acordo com dados oficiais do Banco Central. Esse resultado expressivo ocorreu em um cenário econômico marcado pela taxa básica de juros, a Selic, fixada em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos. O ciclo de queda dos juros teve início apenas em 2026. A Selic norteia as taxas de empréstimos, que chegam a superar 400% no rotativo do cartão de crédito e 100% no cheque especial. Além disso, o setor mantém um alto grau de concentração, com os 4 maiores bancos dominando quase 60% do mercado de crédito em 2024.
Apesar dos números absolutos, o Banco Central considerou o crescimento do lucro moderado e a rentabilidade estável. A justificativa oficial é que o aumento das despesas com provisões compensou os ganhos com juros. O retorno sobre o patrimônio líquido, métrica que avalia o lucro em relação ao valor investido, subiu para 16,76% em 2025, o maior nível desde 2021.
Embora relatórios internacionais apontem que a rentabilidade brasileira supera a de países desenvolvidos, especialistas alertam que comparações exigem cautela devido às diferenças regulatórias de cada mercado. O analista Einar Rivero explicou que o desempenho recorde reflete a diversificação de receitas, a digitalização e um controle mais rigoroso na concessão de crédito, tornando os resultados menos dependentes apenas dos juros.
Para o diretor da Federação Brasileira de Bancos, Rubens Sardenberg, o retorno financeiro local está alinhado com a média de 16,5% observada em outros países emergentes. Ele classificou como um equívoco a ideia de que os bancos lucram mais com a Selic alta, justificando que juros elevados encarecem a captação de recursos, pressionam a inadimplência e freiam o crescimento da carteira de crédito. Sardenberg destacou que 80% do spread bancário serve para cobrir custos operacionais, tributos e calotes, deixando uma margem financeira de 20,3%. Sobre o impacto de ferramentas como o PIX, a federação avalia o saldo como positivo devido ao aumento da bancarização, que fomenta novos negócios.
Contudo, a modernização tecnológica e a busca por eficiência operacional trouxeram impactos diretos ao emprego. O Sindicato dos Bancários apontou que o setor eliminou 31.300 vagas entre 2020 e abril de 2026, afetando principalmente as mulheres, que perderam cerca de 25.000 postos de trabalho. No mesmo período de 10 anos, o número de agências caiu 37%, restando pouco mais de 14.000 unidades em operação no país. Desde 2015, os cortes de custos deixaram 638 municípios brasileiros totalmente sem atendimento bancário presencial, desassistindo cerca de 6,9 milhões de pessoas em todo o território nacional.
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