Setor de navegação alerta para risco de interrupção em rotas no Amazonas devido à estiagem
Armadores alegam inviabilidade econômica sem repasse de custos extras, órgãos de controle mantêm restrições à “taxa da seca”
O impasse em torno da chamada sobretaxa de estiagem no Amazonas ganhou um novo capítulo com o endurecimento do discurso das empresas de navegação. Armadores agora defendem que, sem a possibilidade de repassar os custos operacionais gerados pela seca, a manutenção dos serviços regulares para a região pode se tornar economicamente inviável.
O posicionamento surge como resposta direta às recentes recomendações do Ministério Público Federal (MPF), que cobra critérios técnicos rigorosos e limites para a aplicação dessa cobrança.
De acordo com o setor, a viabilidade das rotas para Manaus é pressionada por um conjunto de fatores que vão além do nível do rio. A Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem aponta que o período seco impõe reduções drásticas na capacidade de carga, limitações de calado e restrições de horário, além de elevar gastos com serviços de praticagem e manobras complexas.
Para as empresas, a sobretaxa não é um lucro adicional, mas um mecanismo de compensação necessário para enfrentar a perda de eficiência das viagens durante a vazante.
Divergência sobre indicadores e transparência
Um dos pontos centrais do conflito é a metodologia de aferição. Os armadores questionam a utilização exclusiva da régua do Rio Negro, em Manaus, como único parâmetro para autorizar a taxa. O argumento é que este indicador isolado não reflete as condições críticas de outros trechos da bacia amazônica, onde as dificuldades de navegação podem aparecer antes mesmo de o nível do rio na capital atingir as cotas de alerta.
Por outro lado, o cerco dos órgãos reguladores e de controle permanece fechado. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) mantém a suspensão da cobrança generalizada, condicionando qualquer retorno da taxa à comprovação técnica de custos e ao patamar histórico de 17,7 metros no Rio Negro.
Queda de braço institucional
O cenário atual configura uma queda de braço estratégica:
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Armadores: Sustentam que a operação sem o repasse de custos extraordinários gera prejuízo e pode levar à ruptura temporária dos serviços.
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Órgãos Públicos (ANTAQ e MPF): Exigem transparência e proporcionalidade, vetando cobranças automáticas ou genéricas que não venham acompanhadas de provas técnicas da necessidade do encargo.
O desfecho dessa disputa impactará diretamente a logística da Zona Franca de Manaus e o abastecimento do estado, uma vez que a definição do custo do frete é o fiel da balança para a competitividade regional durante o período de estiagem.

