Inadimplência atinge quase metade da população adulta no Amazonas
Dados da Serasa apontam que 1,85 milhão de amazonenses possuem restrições de crédito; contas de luz e água pesam no orçamento das famílias
O Amazonas encerra o primeiro quinzena de abril de 2026 com indicadores críticos de saúde financeira. O levantamento atualizado do Mapa da Inadimplência da Serasa revela que o estado ultrapassou a marca de 1,85 milhão de pessoas com o “nome sujo”, o que representa quase 50% da população adulta. O ticket médio da dívida amazonense está fixado em R$ 4.450,00, refletindo a pressão inflacionária e o elevado custo de vida na região Norte.
O perfil do endividamento expõe uma realidade de priorização de gastos: embora bancos e cartões de crédito liderem as pendências (29%), as contas de consumo básico (luz e água) já respondem por 22% da inadimplência. O dado sinaliza que a renda disponível das famílias tem sido insuficiente para cobrir as necessidades fundamentais antes de honrar compromissos financeiros.
Radiografia do Endividamento Regional
O relatório detalha as fatias da população mais vulneráveis ao ciclo do crédito:
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Segmentação por Gênero: As mulheres compõem 51% dos negativados, dado correlacionado ao papel feminino como gestoras das contas domésticas e de consumo básico.
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Fator Geracional: O grupo entre 26 e 40 anos é o mais afetado, pressionado pela instabilidade do mercado de trabalho e pela dependência de rendas informais.
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Impacto Setorial: O varejo (18%) e o setor de telefonia completam os principais eixos de atrasos financeiros no estado.
Análise do “Custo Amazônico” e Informalidade
Especialistas em economia regional apontam que a inadimplência no Amazonas é potencializada pela logística onerosa. O impacto do frete sobre o preço final de alimentos e insumos básicos reduz a margem de manobra financeira dos consumidores. Somado a isso, a alta taxa de informalidade impede um planejamento de longo prazo, deixando o trabalhador exposto à volatilidade da renda.
A recomendação técnica para o cenário atual é a cautela com o crédito rotativo, cujas taxas de juros permanecem como o principal acelerador do volume das dívidas. Órgãos de defesa do consumidor reforçam a importância de utilizar canais de negociação direta e feirões limpa-nome para estancar o crescimento exponencial dos débitos acumulados.

