Levantamentos mostram o atual senador consolidado no primeiro turno e Maria do Carmo com potencial de crescimento em eventual etapa final
A divulgação simultânea das pesquisas realizadas pelos institutos Census Consultoria, sob o registro AM-02868/2026, e AtlasIntel trouxe um cenário complexo para a interpretação do eleitorado amazonense neste mês de maio. Embora em um primeiro momento os dados pareçam divergentes, uma análise mais profunda baseada no comportamento dos eleitores e em políticas públicas revela que os levantamentos medem momentos distintos do pleito por meio de ferramentas metodológicas diferentes.
A pesquisa da Census, feita por telefone, retrata a realidade imediata do primeiro turno, destacando a força das estruturas políticas tradicionais nos municípios. Por outro lado, a AtlasIntel utiliza o recrutamento digital e consegue captar o limite do voto de opinião e o alinhamento ideológico que tendem a moldar um cenário de segundo turno.
O panorama atual aponta para uma disputa dividida, caracterizada pela liderança isolada de um candidato no topo e uma intensa disputa de bastidores pela vaga restante. Se o pleito ocorresse agora, o senador Omar Aziz, do PSD, garantiria sua ida para a fase final sem maiores dificuldades. Isso deixaria uma disputa aberta e imprevisível entre três forças políticas com estratégias e perfis bastante distintos.
No cenário do primeiro turno mapeado pela Census Consultoria, onde o voto tradicional dos municípios dita o ritmo, Omar Aziz lidera a disputa com quarenta por cento dos votos válidos. O senador constrói sua vantagem principalmente devido ao forte desempenho no interior profunda, onde alcança quarenta e quatro por cento das intenções de voto, além de registrar o mesmo percentual entre o eleitorado jovem de dezesseis a vinte e quatro anos.
A segunda colocação é ocupada por Maria do Carmo, do PL, que soma vinte e cinco por cento dos votos válidos, demonstrando força na capital com vinte e sete por cento, mas enfrentando dificuldades para crescer fora de Manaus. Logo em seguida, David Almeida, do Avante, aparece com vinte por cento, sustentado por uma base fiel na capital de dezoito por cento e mantendo dezesseis por cento no interior.
Roberto Cidade, do União Brasil, fecha o grupo principal com dezesseis por cento dos votos válidos, figurando como o fator novo da disputa ao assumir a máquina estadual e buscar converter essa estrutura em votos, registrando treze por cento no interior. Omar Aziz larga na frente justamente porque consolida o eleitorado do interior, enquanto a oposição conservadora e os candidatos ligados às estruturas municipais e estaduais pulverizam os votos em Manaus.
A configuração muda quando o foco passa para as projeções de segundo turno captadas pela AtlasIntel, momento em que a disputa deixa de ser fragmentada e se transforma em um confronto direto. Nesse cenário, o sentimento de direita e o voto de opinião da área urbana de Manaus ganham força, colocando Maria do Carmo em posição de favoritismo.



