Durante encontro na Índia, diplomacia iraniana aponta cumplicidade regional e critica domínio ocidental no conflito atual
O cenário diplomático em Nova Déli foi marcado por fortes declarações nesta quinta-feira, quando o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, solicitou formalmente que os países do bloco Brics emitam uma condenação contra os Estados Unidos e Israel.
Segundo o chanceler, as ações dessas nações representam uma quebra sistemática das normas jurídicas internacionais no contexto da guerra em curso no Oriente Médio. Araqchi posicionou o Irã como um alvo de políticas agressivas e expansionistas, defendendo que o grupo de economias emergentes deve se colocar como uma barreira contra o que descreveu como a prepotência e a impunidade das potências do Ocidente.
Um momento de particular tensão ocorreu quando o representante iraniano dirigiu acusações diretas aos Emirados Árabes Unidos. De acordo com o ministro, o país vizinho, que também integra o Brics+, estaria participando ativamente de manobras militares contra o território iraniano em parceria com Washington.
Esta declaração expõe uma fratura interna no bloco, já que as diretrizes do grupo dependem de um acordo comum entre todos os membros para a divulgação de comunicados oficiais. A presença do vice-ministro emirático no local ressaltou o clima de hostilidade, especialmente após o Irã ter realizado ataques contra Estados do Golfo como represália às ofensivas sofridas.
A situação logística e econômica também dominou os debates, com foco especial na interdição do Estreito de Ormuz. A Índia, que exerce a presidência do bloco neste ano, tem sido uma das nações mais prejudicadas pelo fechamento desta rota marítima essencial para o mercado global de energia.
Como grande compradora de petróleo, a economia indiana enfrenta instabilidades no abastecimento e riscos reais à vida de seus cidadãos que trabalham em embarcações na região. O ministro indiano Subrahmanyam Jaishankar reforçou que a segurança das passagens internacionais é fundamental para a estabilidade financeira de todo o planeta e criticou o uso de sanções unilaterais como substitutas do diálogo diplomático.
Enquanto as discussões ocorriam na capital indiana, a política externa das grandes potências também se movimentava na China. O presidente norte-americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping conversaram sobre o conflito, chegando a um consenso sobre a necessidade de manter as vias marítimas operantes e impedir que o governo de Teerã desenvolva tecnologia nuclear bélica.



