O mercado financeiro reage às incertezas sobre o acordo nuclear no Oriente Médio e aos impactos das investigações do caso Banco Master na bolsa brasileira.
A moeda americana iniciou a quinta-feira em alta e voltou a ultrapassar a marca de cinco reais. Por volta das dez e quarenta e cinco da manhã, o dólar registrava um avanço de 0,31%, sendo negociado a R$ 5,01.
O movimento reverte a queda do dia anterior, quando a moeda havia fechado cotada a pouco mais de R$ 5,00. Em movimento contrário, o Ibovespa, que é o principal indicador da bolsa de valores brasileira, apresentava um recuo de 0,81%, caindo para 175.928 pontos, perdendo os ganhos registrados no pregão de ontem.
O cenário financeiro internacional está reagindo fortemente às notícias vindas do Oriente Médio. Informações recentes apontam que Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã, decidiu manter no país o urânio enriquecido em níveis militares.
Essa postura frustrou as esperanças de um acordo diplomático rápido envolvendo o programa nuclear iraniano e impactou diretamente o setor energético. Diante dessa tensão, os preços do petróleo voltaram a subir após uma forte queda recente, com o barril do tipo Brent avançando 1,68% e o WTI registrando alta de 2,29%.
A guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã segue gerando apreensão global, embora existam conversas em andamento. O presidente americano Donald Trump declarou que não tem pressa para concluir as negociações de paz, ressaltando que as forças armadas iranianas já sofreram danos severos e que a missão é mais importante do que um cronograma político.
Trump confirmou que atendeu a pedidos de aliados árabes para suspender temporariamente novos ataques, mas alertou que os militares americanos continuam prontos para agir de forma ainda mais dura caso o diálogo fracasse. Do outro lado, o governo iraniano afirmou manter suas tropas em alerta máximo contra qualquer ofensiva. Nos Estados Unidos, o prolongamento do conflito tem gerado desgaste político para o presidente e elevado os temores populares devido aos impactos econômicos.
Além disso, os investidores americanos estão na expectativa da divulgação de dados sobre os pedidos semanais de seguro-desemprego, que devem girar em torno de 210 mil solicitações.
No panorama interno brasileiro, as atenções estão completamente voltadas para as investigações do caso Banco Master e seus desdobramentos em Brasília.
A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal rejeitaram a primeira tentativa de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A situação ganhou contornos mais graves após o senador Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à presidência, admitir ter se reunido com o empresário após a prisão dele em 2025.
O parlamentar justificou que o encontro buscava resolver problemas de financiamento para uma cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As investigações revelaram um áudio onde Flávio solicita cerca de 134 milhões de reais ao banqueiro, fato que o senador confirmou, embora negue qualquer irregularidade. A produtora do filme afirma não ter recebido esse dinheiro, o que levou a Polícia Federal a investigar se o montante foi desviado para custear a estadia do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Toda essa turbulência tem afetado a imagem política de Flávio Bolsonaro, alterando as expectativas do mercado financeiro sobre o futuro do governo e contribuindo para a queda da bolsa e a pressão sobre o dólar. Em meio a esse cenário conturbado, o mercado também aguarda os novos dados de arrecadação federal, que vêm de um resultado positivo no mês anterior.
Apesar das tensões no Brasil e no Oriente Médio, as bolsas ao redor do mundo apresentaram desempenhos distintos. Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street terminaram o dia em alta, impulsionados pelo forte otimismo com as empresas de tecnologia, recuperando perdas recentes.
O mesmo sentimento positivo foi visto na Europa, onde os mercados registraram ganhos significativos puxados pelos setores de defesa e tecnologia, na expectativa dos resultados financeiros de grandes empresas do ramo. Em contrapartida, as bolsas asiáticas tiveram um dia predominantemente negativo, encerrando o pregão com quedas nos principais índices da China, de Hong Kong e do Japão.