Fator de Utilização Total ultrapassou a marca de 103% em resposta à crise geopolítica no Irã e maior eficiência das plantas industriais.
Em um momento de esforço nacional para expandir a produção de combustíveis e reduzir a dependência das oscilações do mercado internacional, a Petrobras registrou um ritmo de atividade histórico em suas instalações. De acordo com informações apresentadas pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante a divulgação do balanço trimestral, as refinarias da estatal estão operando acima de sua capacidade nominal de referência.
Os relatórios financeiros do primeiro trimestre de 2026 apontam que o Fator de Utilização Total, indicador que mede o nível de atividade das refinarias, ficou em 95% na média dos três primeiros meses. O desempenho ganhou tração em março, quando o índice atingiu 97,4%, estabelecendo o patamar mais alto para o mês desde o fim de 2014.
A liderança da empresa revelou ainda que a aceleração continuou nos meses de abril e maio, períodos em que o volume processado rompeu a barreira dos 100%.
O diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, apresentou dados específicos sobre a operação diária da malha de refino, confirmando que os índices técnicos oscilaram recentemente entre 100% e 103%. Essa superação do limite padrão é viável porque a carga real de petróleo inserida no sistema pode superar a capacidade originalmente planejada para a planta, desde que o procedimento receba o aval regulatório da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e respeite todas as normas de segurança, qualidade e proteção ambiental.
A escalada na produção está diretamente conectada ao cenário internacional recente, marcado pela alta de preços decorrente dos conflitos no Irã. Diante da valorização dos derivados, a Petrobras foca em processar o petróleo internamente para agregar valor ao produto antes de atender aos mercados de exportação.
Esse planejamento é sustentado pelo volume recorde de extração de óleo bruto alcançado no início do ano e por melhorias na engenharia de manutenção dos ativos.
A eficiência das refinarias foi impulsionada por uma estratégia de inspeções baseadas em risco, que elevou a confiabilidade dos equipamentos de grande porte. Motores e bombas hidráulicas que antes permaneciam disponíveis durante 70% do tempo agora operam em cerca de 90% do período antes de necessitarem de reparos.



