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Queda dos juros: o que muda para os investidores?

A queda na taxa de juros está cada vez mais evidente, atraindo a atenção dos investidores. A expectativa é de que se inicie um ciclo de queda dos juros.

A queda na taxa de juros está cada vez mais evidente, atraindo a atenção dos investidores. A expectativa é de que se inicie um ciclo de queda dos juros. Os principais fatores que indicam essa probabilidade são os índices como IPCA, IGP-M, IPCA-15, que apontam para um cenário de queda da inflação. Aliado a isso, as expectativas de inflação divulgadas pelo Boletim Focus apontam melhora das estimativas para o IPCA, indicando um recuo.

O câmbio também é um componente importante, pois a apreciação do Real frente ao Dólar, mantendo a cotação abaixo do patamar de R$ 5,00 também contribui para melhorar as expectativas futuras. A curva de Juros Futuros já sinaliza esta queda tanto a curto prazo quanto na ponta dos 10 anos. E por último, não menos importante, a aprovação do arcabouço fiscal pelo Congresso, mesmo com definições a serem feitas, é muito positiva para ancorar o câmbio e mantê-lo valorizado.

Segundo Diogo Fávero, Diretor de Distribuição e Gestão do Grupo ViaInvest, “Os principais setores beneficiados sem dúvida são varejo e construção civil. Os juros menores impactam o consumidor e todos os demais setores que necessitam de uma alta alavancagem das empresas, tendo em vista que elas também pagarão menos juros.”

Para os investidores, o principal impacto visa a expansão da economia e investimentos atrelados à renda variável, principalmente os investimentos em bolsa. Isso acontece porque historicamente no Brasil, toda vez que se inicia um ciclo muito claro de queda nos juros a bolsa tende a avançar e a renda fixa sofre um pouco mais, por ter menor rentabilidade. De acordo com Fávero, “A explicação é lógica, pois juros menores implicam menor custo de capital para as empresas, menor pagamento de juros em linhas de empréstimo e maior valor presente dos fluxos de caixa futuros. Consequentemente, os valuations tendem a ser revisados e os preços alvos também. Cabe ao investidor saber distinguir quais setores andarão na frente e sofrerão maior valorização dos que terão maior dificuldade por outras questões ligadas ao próprio setor.”

Existe ainda uma preocupação muito grande com a retomada da aceleração da economia global e, por consequência, no crescimento do lucro das empresas. A precificação atual, portanto, tem grande ligação com a queda dos juros que uma vez precificada, ou seja, incorporada ao preço dos ativos, deixa de ser um fato novo. “Sem dúvida o ambiente global é um grande ponto de atenção, com foco em especial na atividade econômica da China, no mercado dos Estados Unidos com seus dilemas e nas guerras que estão ocorrendo atualmente.”, complementou Fávero.

Segundo Diogo Fávero, “Os Fundos de Investimento de renda fixa e crédito privado são as classes que devem sofrer os maiores resgates, pois haverá uma migração natural para a renda variável e para o mercado de bolsa.”

No entanto, mesmo em momentos como este, fundos estruturados como os FIDCs têm conseguido se manter estáveis em relação a suas captações e alocações, muito em função de suas características. De acordo com Fávero, “As principais séries de captação são compostas de um indexador CDI mais um cupom. Por exemplo, no FIC FIDC VIAINVEST, as séries são CDI+2,5% a.a para a cota Sênior e CDI+3,5% a.a para a cota Mezanino. Em um cenário de um CDI de 13,65% estes cupons representam 18,32% e 25,64% do CDI, respectivamente. Isto quer dizer que com a queda dos juros e consequentemente do CDI, os FIDCs em geral têm um papel fundamental para sustentar a rentabilidade dos investidores, tornando o investimento ainda mais atraente quando comparado a fundos e papéis que estão 100% atrelados ao CDI e que sofrerão grandes quedas.”

Diante de todos os componentes que se apresentam no atual momento, a estimativa é de continuação de uma queda de juros. “Se a inflação medida pelo IPCA, que já teve estimativa de quase 6% para o ano de 2023, fechar próxima ou abaixo de 5%, não parece razoável que o Brasil mantenha uma taxa de juros real de 6% ao ano.”, finalizou Fávero.