Estatal mantém resultados sólidos e planeja ganhos ainda maiores com reflexos da alta do petróleo nos próximos meses
A Petrobras encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um lucro líquido de 32,7 bilhões de reais, o que representa uma redução de pouco mais de 7% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. Apesar dessa retração, o conselho de administração da companhia autorizou a distribuição antecipada de 9,03 bilhões de reais em dividendos aos seus acionistas.
Esse pagamento será dividido em duas parcelas iguais programadas para os meses de agosto e setembro, reforçando a política da estatal de partilhar resultados quando a dívida permanece sob controle.
Um dos pontos de maior atenção no balanço financeiro é o descompasso entre a cotação internacional do petróleo e os ganhos imediatos da empresa. O conflito no Irã elevou drasticamente o preço do barril no mercado global, atingindo picos próximos de 120 dólares em março.
No entanto, devido à logística de exportação e aos prazos de fechamento de contratos para o mercado asiático, esses valores elevados ainda não foram totalmente contabilizados. A expectativa da diretoria financeira é que o impacto positivo dessa valorização comece a aparecer de forma robusta apenas nos relatórios do segundo trimestre.
No campo operacional, o desempenho foi marcado por recordes. A produção de óleo e gás teve um crescimento de quase 4%, impulsionada por novos ativos e pela eficiência de campos tradicionais.
Os investimentos no período ultrapassaram os 5 bilhões de dólares, com foco especial na ampliação das operações em Búzios e Sépia, localizados na Bacia de Santos. Outro destaque foi o segmento de refino, que conseguiu dobrar seus resultados ao processar petróleo estocado anteriormente a preços mais baixos e revendê-lo em um cenário de alta nas cotações.
Mesmo com um aumento moderado na dívida líquida, que fechou o trimestre em 62,1 bilhões de dólares, a saúde financeira da Petrobras é considerada estável. O custo de extração no pré-sal permanece como um dos mais competitivos do mundo, garantindo margens seguras mesmo com a valorização do real e a entrada em operação de novas plataformas.



