Planalto divulga nota repudiando a decisão norte-americana e critica articulação política da oposição, enquanto especialistas alertam para riscos de interferência estrangeira.
O governo federal publicou um comunicado nesta sexta-feira para reforçar que mantém um combate constante contra o Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho e outros grupos criminosos. O posicionamento oficial ocorreu logo após o anúncio de que os Estados Unidos pretendem oficializar a designação dessas facções como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho.
A decisão americana foi comunicada após uma reunião entre o líder norte-americano Donald Trump e o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro. Em resposta, o Palácio do Planalto destacou que o Brasil é uma nação soberana e que enfrentar essas organizações é uma prioridade de Estado.
Segundo o texto divulgado, o governo ressalta que as facções buscam lucro por meio do tráfico de drogas e armas. Essa motivação financeira, de acordo com o Planalto, não se enquadra nas características do terrorismo internacional, o qual possui bases ideológicas, políticas ou religiosas.
A nota do governo brasileiro também subiu o tom contra a oposição. O documento acusa os envolvidos de traição e de serem falsos patriotas por tentarem confundir os conceitos de criminalidade e terrorismo com o intuito de obter vantagens políticas.
O comunicado lamenta que membros da família Bolsonaro tenham viajado aos Estados Unidos para pedir interferência estrangeira em questões internas do Brasil, fazendo menção a prejuízos anteriores causados ao país por atitudes semelhantes..
Sobre a cooperação internacional, o Brasil enfatizou que o crime organizado atua de forma transnacional e exige esforços conjuntos. O governo lembrou que, no dia 16 de abril, entregou ao Departamento de Estado americano uma proposta focada no uso de inteligência, no bloqueio de lavagem de dinheiro no exterior e no combate ao tráfico de armas.
Embora o país afirme que colaborações estrangeiras são bem-vindas, a nota deixou claro que não serão aceitas medidas arbitrárias que sirvam de desculpa para ferir a soberania e a economia nacional.




