Wilker mobiliza entrega de moção de repúdio a Paulo Guedes, em Brasília

Visando fortalecer a Zona Franca de Manaus (ZFM), após declarações ofensivas do ministro Paulo Guedes ao modelo econômico, o deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) protocolou na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), nesta terça-feira (10), uma moção de repúdio ao que o parlamentar classifica como ‘preconceito e total desconhecimento sobre o principal modelo ambiental do mundo’. A ação foi acolhida por todos os deputados presentes e teve como co-autor o presidente da Casa, Josué Neto.  

“Dei entrada a uma moção de repúdio contra as falas do ministro da Economia, Paulo Guedes, que é totalmente desfavorável ao modelo econômico da Zona Franca de Manaus. O ministro é alguém que não se porta à altura do cargo de ministro do Estado, que deveria olhar para o Brasil como um todo e não atacar um modelo que pessoalmente ele não é a favor. Quero que ele tenha coragem de fazer um grande debate aqui”, disse Barreto, que é líder da Comissão de Indústria, Comércio e Zona Franca de Manaus.

Com a atenção dada pelo presidente da Casa, Wilker ressaltou que o poder legislativo reafirma sua responsabilidade e protagonismo diante de assuntos importantes para o Amazonas. Assim, ganha força para ir até o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), que já se colocou a favor do modelo, mas que é fortemente combatido pelo ministro da economia. Em julho deste ano, quando Bolsonaro esteve em Manaus na Reunião Ordinária do Conselho de Administração da Suframa (CAS), o presidente afirmou que a ZFM iria ser preservada.

“Eu falei aqui nesta tribuna que daria o voto de confiança do presidente, mas que sou pé atrás com o Guedes. A maioria dos amazonenses não votou no Guedes, e sim no Bolsonaro, que assumiu o compromisso incondicional com o Amazonas e a Zona Franca quando participou da reunião da Suframa.  Vamos solicitar à Assembleia uma audiência pública com o presidente da República, juntamente com a bancada federal do Amazonas, para cobrar que um ministro da Fazenda não pode impor a sua vontade, com base na desinformação, acima do presidente, a maior autoridade do País. Não temos que ter medo de cara feia”, ponderou Wilker.

O deputado citou, ainda, sobre os cortes nos orçamentos da Suframa e da BR-319, previstos para o ano que vem. Segundo ele, as medidas impactam diretamente no desenvolvimento regional da Amazônia.

“Para 2020, a Suframa terá para o ano que vem 80% de redução em seu orçamento, enquanto que a BR-319 não terá sequer um real. Essa é a forma maldosa que o ministro da Fazenda vai impor a sua vontade, contrariando até a posição do presidente da República, conclui Wilker.

Denúncias

Ainda na tribuna, Wilker Barreto voltou a citar denúncias de esquemas de corrupção no atual governo e cobrou que o Estado compareça à Assembleia para se posicionar a respeito das supostas irregularidades. No último domingo, 8, o Diário do Amazonas denunciou que a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) investigam a suspeita de grilagem envolvendo a ex-secretária de Política Fundiária do Estado (SPF), nomeada no governo de Wilson Lima e Carlos Almeida.

“Essa casa é fiscal do governo. Temos que trazer aqui a ex-secretária e atual servidora para que ela possa se explicar se isso procede ou não. Tenho um requerimento aqui para que possamos investigar, porque isso é grave. Um governo com suspeita de corrupção na Seduc, na Secretaria de Políticas Fundiárias, com processos em andamento no MPF, trazidos por portais e veículos de comunicação de credibilidade”, alertou Wilker.

Sobre o caso Dantas, o parlamentar aguarda o comparecimento do empresário Francisco Luiz Dantas da Silva nesta quarta-feira, 11, na Aleam, para falar sobre o escândalo envolvendo a empresa, denunciado pelo próprio deputado desde março.

“Amanhã, espero que o empresário Dantas venha a esta Casa. Quero saber quem lhe deu o contrato, quem foram os beneficiados, porque jabuti não sobe na árvore. O empresário não pode humilhar este Parlamento, não pode ser tratado como vala comum. O governo tem problemas e estamos aqui para fiscalizar e precisamos cumprir o nosso ofício”, explicou Barreto.

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