Wilker Barreto denuncia omissão do titular da Semsa na falta de diagnóstico de câncer de colo de útero

Autor do Projeto de Lei que instituiu o Março Lilás, mês de conscientização e combate ao câncer de colo do útero, no calendário oficial da cidade de Manaus, o presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador Wilker Barreto (PHS) usou a tribuna nesta segunda-feira (10) para denunciar a omissão e descaso por parte do titular da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Marcelo Magaldi, que não teria comprado os produtos necessários para a realização dos exames de citologia em meio líquido, método de diagnóstico da doença, bem mais moderno e eficiente que o papanicolau.

“Em março deste ano estive reunido com a ginecologista Mônica Bandeira, especialista em câncer de colo uterino da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) e a equipe técnica da Semsa, quando ficou acordo que a partir do segundo semestre começariam a ser realizados os exames de citologia em meio líquido, entretanto, para minha surpresa, no domingo, fui informado por ela, que a compra dos equipamentos e produtos necessários a realização dos exames pelo novo método, não haviam sido feita”, denunciou o parlamentar, culpando o secretário municipal de saúde, Marcelo Magaldi, de omissão, pela não aquisição material..

Segundo Wilker Barreto, sem a realização dos exames que permitiria o diagnóstico da doença, muitas mulheres acabaram morrendo sem ao mesmo terem tido acesso a tratamento. “As mortes poderiam ser evitadas com o diagnóstico correto, por isso afirmo que o secretário (Marcelo Magaldi) é diretamente responsável por essas mortes. Era para ele ter sida a priorizada a coleta e o atendimento ser feitos nas Carretas da Mulher e encaminhado ao laboratório do município. A compra do equipamento custa R$ 70 mil e não avançamos um passo desde a reunião em março deste ano”, criticou.

Wilker Barreto eximiu o prefeito de Manaus de responsabilidade em relação ao caso, porque, segundo ele, se tivesse sido informado pelo titular da Semsa do problema, Arthur Virgilio Neto teria determinado de imediato a compra do material necessário à realização dos exames.  “Tenho certeza, apesar de estar distante politicamente, que se esse tema tivesse chegado ao prefeito Arthur Neto ele tomaria providências, porque seriam apenas RS 500 mil de remanejamento para a compra do equipamento e do material de consumo do exame”, afirmou.

Ainda na tribuna, o presidente Wilker Barreto divulgou números da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) indicando que 200 mulheres morreram, até agosto deste ano, em decorrência do câncer de colo de útero e apelou aos vereadores para que destinem, por meio de emendas,  os R$ 500 mil, dos R$ 5 bilhões previstos no orçamento deste ano,  para aquisição dos equipamentos e materiais necessários a realização do exame de citologia em meio líquido, na rede municipal de saúde. “Será um gesto de respeito às vitimas e, para que no próximo ano, ao menos 200 vidas sejam salvas”, afirmou.

 

Tragédia evitável

Para a ginecologista especialista em câncer de colo uterino da FCecon, Mônica Bandeira, o Amazonas passa por uma tragédia evitável, e com meios defasados de prevenção os altos índices de mortes continuarão alarmantes.

Segundo ela, em média 23 mulheres morrem, por mês, no Amazonas, vítimas do câncer de colo uterino.  “Quando falamos de números, estamos falando de pessoas. O câncer de colo uterino é 100% evitável, e temos como prevenir e evitar. Hoje temos o papanicolau que é um preventivo convencional que é falho. Queremos trazer o exame que é a citologia em meio líquido, que é um exame que existe há 25 anos, mas não existe no Sistema Único de Saúde (SUS), existe apenas em convênios particulares. Está na hora de um senso de urgência em Manaus e no Amazonas”, criticou a especialista.

Mônica Bandeira pediu ao presidente Wilker Barreto para que os vereadores possam destinar emendas para a aquisição de todo o material para a implantação dos exames na capital.  “Faço um apelo para que as pessoas tenham compaixão. São vidas. Pedi para o presidente que converse com os vereadores. É preciso destinar dinheiro para fazermos um novo preventivo. Isso aqui é a centelha para o início de um grande fogaréu”, finalizou.

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