Sem plano de negócios e sem conhecer cliente, mais da metade das empresas fecha

De acordo com o último estudo do Sebrae sobre fechamento das empresas no Brasil, o Causa Mortis, mais da metade não realiza um planejamento básico antes do início das atividades e nem faz uma gestão eficiente durante sua (curta) vida, como plano de negócios e valor do lucro pretendido.

As empresas que fecharam consideram o planejamento prévio o fator mais importante. Já as que estão em atividade apontam o planejamento prévio combinado à gestão após a abertura do negócio como os componentes essenciais para o sucesso. O estudo também indica que 24,4% das empresas fecham as portas com menos de dois anos de existência. E esse percentual pode chegar a 50% nos estabelecimentos com menos de quatro anos.

Mas como não quebrar?

De acordo com o relatório, 46% dos empresários não sabiam o número de clientes que teriam e seus hábitos de consumo, 39% não sabiam qual era o capital de giro necessário para abrir o negócio, 38% não sabiam o número de concorrentes e 55% não elaboram um plano de negócios.

Da base nacional de dados da startup paranaense VHSYS – que mostra que, de 2016 até 2018, cerca de 851 empresas fecharam as portas – emergem dados que ajudam a entender esse cenário. Os segmentos de maior frustração foram comércio varejista (25%), comércio de alimentos e bebidas (9,6%), comércio atacadista (8%) e serviços de TI (5,1%).

Esses valores dizem respeito às empresas que revogaram seus contratos com a startup – que fornece um sistema online de gestão para micro, pequenos e médios empresários – por estarem encerrando as atividades definitivamente. No total, foram consultadas 4.961 empresas. Os segmentos menos afetados foram fabricação de móveis, comércio eletrônico e fabricação de roupas (todos com 2%).

De acordo com Reginaldo Stocco, CEO da VHSYS, não há fórmula mágica para uma empresa não quebrar, especialmente no cenário brasileiro, mas existem atitudes que todo gestor pode e deve tomar preventivamente. “Manter os pés no chão em relação ao planejamento financeiro é algo básico, mas fundamental e que muitos esquecem. Para isso, é necessário ter todos os dados registrados e atualizados sobre o fluxo de caixa do negócio, o famoso contas a pagar e a receber. Outra coisa essencial é estar sempre de olho nos relatórios financeiros para ter mais precisão na tomada de decisão e também para saber onde estão os principais gargalos e quais são as oportunidades para explorar. Para isso, é mais do que básico contratar softwares de ERP, ferramenta de gestão empresarial que integra todos os dados e processos de uma organização em um único sistema”, aconselha.

Para Stocco, no caso do comércio ou de empresas que trabalham com estoque, é importante ainda ter ciência de todos os produtos armazenados. “Produto no estoque é dinheiro parado. Trabalhar bem e fazer uma boa gestão pode ser a garantia de sobreviver bem a um mês pouco lucrativo, por exemplo”, diz.

A crise e o que esperar de 2019

De acordo com as Estatísticas do Cadastro Central de empresas divulgadas neste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do total de empresas fechadas entre 2013 e 2016, 76,8% eram do setor comercial. Em 2013 havia 2,2 milhões de empresas do setor do comércio e em 2016 este número caiu para 1,94 milhão – uma queda de 11,9%.

Na visão de Stocco, o comércio é o segmento mais afetado desde 2014, como demonstram as três primeiras posições da lista de encerramentos da base de clientes da startup. “Somente em fevereiro de 2015 o comércio teve um pequeno crescimento, mas não foi suficiente para ganhar fôlego. A crise econômica e política trouxe instabilidade, alta taxa de desemprego e dificuldade em conseguir crédito. Com o dinheiro curto no bolso, o brasileiro deixa de consumir e as portas dos comerciantes se fecham”, analisa.

De acordo com o levantamento da VHSYS, em relação ao fechamento de empresas a expectativa é de que esse número seja um pouco menor em 2019. “O mercado já prevê um aumento no número de empregos e nas linhas de crédito, o que pode dar sobrevida para as empresas que estiveram no aperto em 2018”, acredita Stocco.

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