Pesquisa mostra que 72% dos pacientes com doenças crônicas não fazem prevenção

Comemorado em 5 de agosto, o Dia Nacional da Saúde chama atenção para a necessidade de cuidados com o corpo e a amente, principalmente, a partir de medidas preventivas, como consultas regulares ao médico e exames periódicos. Porém, esse não é um comportamento comum entre os brasileiros, que só costumam buscar ajuda profissional quando já estão sentindo algum sintoma.

Pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) mostra que 72% dos pacientes com doenças crônicas, como obesidade e diabetes, por exemplo, só identificaram o problema quando já estavam doentes. Isso indica que muitos brasileiros ainda realizam exames como forma de diagnóstico e não como prevenção.

Alternativa

Para reverter esse cenário, o modelo de prevenção vem sendo discutido dentro do setor de saúde como uma forma de trazer mais qualidade para a vida dos pacientes e como uma alternativa para a sustentabilidade do sistema. “A ideia de prevenção ainda não está clara para população. Para promover o debate sobre o tema e despertar a consciência de preocupação com a saúde, empresas e entidades do setor estão se mobilizando”, explica a gestora regional do Sabin em Manaus, Ana Pedra.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estima que pacientes doentes custam sete vezes mais do que um paciente saudável na mesma faixa etária e estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) aponta que doenças que só possuem alterações laboratoriais, sem manifestar sintomas, têm chance de cura de 90%.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou recentemente uma lista de exames laboratoriais essenciais. O documento foi atualizado para expandir e incluir testes responsáveis pelo diagnóstico e monitoramento de doenças que hoje são consideradas desafios globais. A gestora explica que a prevenção tem sido uma das formas usadas para a gestão da saúde. “A medicina diagnóstica contribui para um cuidado mais coordenado, mais eficiente e com mais qualidade à população. A realização de exames preventivos é proveitosa para os pacientes e mais sustentável ao setor”.

Hábitos melhores

Além da realização de exames periódicos, hábitos saudáveis como uma alimentação balanceada e a realização de atividades físicas podem evitar doenças crônicas como obesidade, diabetes, doenças pulmonares e cardiovasculares. Isto porque manter boas práticas relacionadas à saúde evitam a exposição aos fatores de risco que podem levar aos distúrbios e garantem uma melhoria da qualidade de vida.

Em recente Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), o Ministério da Saúde divulgou que a taxa de obesidade no país passou de 11,8% para 19,8%, entre 2006 e 2018, e que Manaus é capital com maior percentual de obesos do país, 23%.

Para o secretário nacional de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, apesar de ter havido melhora no cardápio, o brasileiro ainda compra muitos itens calóricos e sem tanto valor nutricional. “Temos ainda um aumento maior de obesidade porque ainda há consumo muito elevado de alimentos ultraprocessados, com alto teor de gordura e açúcar.” Segundo ele, o excesso de peso é observado sobretudo entre pessoas de 55 e 64 anos e com menos escolaridade.

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